PM do RJ elogia bolsonaristas e associa atos de partidos de oposição a vandalismo

    Reportagem do portal UOL, com base em documentos internos, revela que postura varia se manifestação é a favor ou contra o presidente

    Foto: Divulgação / PMRJ

    Uma reportagem publicada nesta segunda-feira (20) pelo portal UOL revela que a Polícia Militar do Rio de Janeiro associa partidos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro a atos de vandalismo. É com esse argumento que a corporação justifica a inclusão de aparatos de repressão em planos de policiamento para manifestações políticas no estado durante a pandemia da Covid-19.

    Segundo o UOL, registros internos da PM —solicitações de policiamento, ordens de serviço e outros documentos relativos a mais de uma dezena de manifestações no Rio desde 18 de abril— mostram uma postura seletiva da PM fluminense no tratamento de atos públicos.

    Enquanto manifestações de oposição ao governo Bolsonaro são tratadas sempre como eventos com potencial de distúrbios, atos de apoiadores do presidente são vistos como inofensivos e até rendem elogios a bolsonaristas mesmo quando contrariaram normas de isolamento social.

    Para a PM, as manifestações que justificam aparato de repressão variam de atos abertamente contra o governo a protestos como o de entregadores de aplicativos no dia 1º deste mês.

    O uso de grande aparato policial, que envolveu batalhões de elite, é motivado segundo a PM pela “possibilidade de grande mobilização de manifestantes em virtude da convocação de adeptos dos partidos políticos opositores e anarquistas, com histórico em atos anteriores desse mesmo gênero, registros de confusões e depredação do patrimônio público”.

    Procurada pelo UOL, a PM do Rio afirmou que “dimensiona o planejamento das operações para acompanhar manifestações políticas com base em informações estratégicas e sigilosas, colhidas pelo setor de inteligência”. Os documentos listam contudo informações ao alcance de buscas nas redes sociais.

    Ainda segundo a PM, “independentemente do objetivo das manifestações, as operações seguem orientação técnica, priorizando a segurança dos cidadãos e do patrimônio público e privado. Para tanto, são empregadas equipes dos batalhões de área, assim como das unidades especiais”.

    A corporação classifica os resultados obtidos no patrulhamento de manifestações durante a pandemia como “bastante satisfatórios”.