“Há décadas em que não acontece nada. Mas, hoje vivemos semanas em que décadas acontecem”. Com essa síntese sobre o momento de inflexão em que vive a humanidade, em meio à atual crise sanitária, o professor extraordinário na Cesar.school, cientista-chefe na The Digital Strategy Company, professor emérito do Centro de Informática da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco -, e fundador-presidente do Conselho de Administração do Porto Digital, Silvio Meira, iniciou palestra de abertura deste segundo dia do Congresso Sucesu 2020, na quinta-feira (30), com uma apresentação fluída em pouco mais de 30 minutos, que apenas instigou a busca por mais conhecimento.
“Se a gente olhar ao redor, será que tem alguma coisa mudando no planeta? Algo está mudando fora desse contexto dramático e terrível de Covid-19 que estamos vivendo tão intensamente? Talvez, a pandemia seja apenas um alerta global, de coisas extremamente complexas que já estão acontecendo e que virão a acontecer, em todo o mundo. E a gente, talvez, não esteja prestando tanta atenção. E esses acontecimentos passam por Billie Eilish [cantora e compositora norte-americana, que lançou no SoundCloud, em 2016, seu single de estreia, Ocean Eyes], ganhadora de 5 Grammys com menos de 18 anos de idade, tem músicas dela com mais de 1,5 bilhão de plays, como Bad Guy, ela tem 40 milhões de seguidores, só no Spotify, e ela é parte da Geração Z, uma geração de nativos digitais, que compartilham conteúdos o tempo todo, que toleram muito mais, muito mais responsáveis do que a geração anterior, ou as gerações anteriores”, contextualiza Meira.
Em seu painel, Meira trouxe com riqueza de detalhes, um tema onipresente e gerador de grandes questionamentos nos últimos meses, em todo o mundo: como a pandemia acelera nossa transição para uma sociedade digital? Um bom termômetro apontado pelo estudioso é monitorar os jovens que a revista TIME denominou “geração multi-tarefa”, do inglês multitasking generation, e que o professor da Ufba, Nelson Pretto, chama da “geração alt+tab”, mecanismo padrão de troca de foco entre abas do Windows.
Basicamente, são indivíduos ultraconectados, sempre online, seja ouvindo músicas, comunicando-se no whatsapp, twittando, zapeando em busca de assuntos interessantes na web, assistindo TV, tudo ao mesmo tempo agora. E cada vez mais cedo, imergir no universo das novas tecnologias e internet, por serem nativas no ambiente digital.
“Eles são auto-educados. Têm acesso a educação muito mais fluída do que quem veio antes. São empreendedores. Muitos dos seus ídolos O modelo de mundo deles é muito mais inclusivo e participativo. Essa galera que nasceu entre 1998 e 1996 segue assim: ao invés de sou o que tenho, sou o que faço. Em 2030, eles serão 4,2 bilhões de pessoas e vão decidir o que acontece no mundo. Esses são naturalmente digitais. E nós, analógicos, convertidos ao digital. A pandemia do novo coronavírus vai acelerar muita coisa. Ecossistemas digitais, download de futuros digitais, entender novos contextos digitais, educar-se, executar [tudo e para todos], escalar [tudo para rede] e evoluir, pois digital é fluxo”, alertou.
Transformação digital é inovação estratégica
Silvio falou também da mudança que levou o mundo a dar um salto para o digital e um freio no analógico. Com 52,1% das pessoas afirmando que o comportamento mudou para sempre. Em um cenário, sem previsões, de crescimento de 300% nas vendas de alimentos e bebidas no e-commerce brasileiro.
“A mudança estratégica funciona como um processo transformador dentro das corporações, que acabam por redefinir mercados. Nesse mundo, há uma mudança dramática na comunicação instantânea. Um aumento de 7 vezes no tráfego de dados entre 2016 a 2021. Um salto no volume de interações, de 300 pessoas conectadas por dia, em 2010, para 4.000 conectados/dia, em 2020. Em um cenário realmente inclusivo deveria sair o papel e entrar o touchscreen. Acabando com as filas e entrando o online digital. Essas filas são injustificadas. Pois nós temos boas propostas para universalização da banda larga”, pontuou.
No varejo, saem as lojas físicas. Se até a pandemia, eram abertas 10 mil lojas online por mês, depois da Covid, são 1.500 por dia, um total de 135 mil lojas. Nos EUA, e-commerce saiu de 16% para 36%, em 90 dias. São sinais dos novos e prováveis cenários de normalidade.

