Dólar fecha em leve queda a R$ 5,59, com baixa de 0,30%

    Ruídos internos na área econômica do governo e com outros ministérios geraram apreensão sobre riscos de aumento adicional de gastos depois de 2020

    Foto: Arquivo/Agência Brasil
    Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
    Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

     

    O dólar à vista fechou em leve queda ante o real nesta segunda-feira (24), longe das mínimas registradas na sessão, com as oscilações no mercado de câmbio se estabilizando na parte da tarde em meio a variações nas moedas também no exterior, num dia marcado por otimismo sobre tratamentos contra a Covid-19, mas com os investidores locais ainda a atentos à situação fiscal do Brasil.

    A moeda caiu 0,30%, cotado a R$ 5,594 na venda. Na mínima, atingida ainda na primeira hora de negócios, chegou a R$ 5,559 (-0,85%) e, na máxima (alcançada por volta de 11h30), bateu R$ 5,613 reais (+0,11%). Na sexta-feira, a moeda fechou em alta de 1%, a R$ 5,6078. Na parcial do mês, já subiu 7,16%, e no ano, tem alta de 39,43%.

    No meio da tarde, quando o dólar era cotado por volta de R$ 5,57 reais, a notícia de que o governo decidiu adiar o anúncio do pacote de medidas econômicas previsto inicialmente para amanhã (25) ajudou a alimentar alguma pressão de compra de dólares, que na sequência voltou a superar R$ 5,60 reais, fechando o pregão perto desse patamar.

    O pacote de medidas prometido pela equipe econômica é visto como uma oportunidade de o governo enviar um forte sinal ao mercado sobre gestão responsável das contas públicas. Ruídos internos na área econômica do governo e com outros ministérios geraram apreensão sobre riscos de aumento adicional de gastos depois de 2020, o que comprometeria a confiança na trajetória fiscal.

    Na semana passada, o dólar emendou a quarta semana consecutiva de valorização –o que não ocorria desde o fim de abril–, amparado pelo somatório de desconforto fiscal doméstico e reavivamento da divisa no exterior.

    Bolsa

    O Ibovespa, índice de referência da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em alta hoje, acompanhando bolsas no exterior, enquanto no Brasil agentes financeiros aguardam o anúncio do novo pacote econômico. O Ibovespa subiu 0,77%, a 102.297,95 pontos. O volume financeiro somou R$ 23,2 bilhões.

    Nos Estados Unidos, o S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas, após a Food and Drug Administration (FDA) autorizar o uso emergencial de plasma sanguíneo – rico em anticorpos – em pacientes em tratamento de covid-19.

    A possibilidade de os EUA acelerarem uma vacina experimental contra o coronavírus que está sendo desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, conforme noticiou o Financial Times, também repercutiu positivamente.

    No Brasil, com a temporada de balanços caminhando para o final, o cenário fiscal ganha mais relevância, principalmente com a perspectiva de novas medidas para apoiar a recuperação econômica do país.