Senadores criticam exclusão de algumas categorias da reforma administrativa

    Outra parte dos integrantes da Câmara Alta defende a necessidade de ajuste e elogia medida enviada por Bolsonaro

    Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado

    Considerando o dia em que foi enviada, a reforma administrativa terá debates intensos no Senado. Encaminhada nesta quinta-feira (3) pelo presidente Jair Bolsonaro, a medida permite a extinção de órgãos pelo executivo e muda regras para o servidor público. Um dos aspectos mais criticados foi a ausência de juízes, militares e parlamentaes da nova norma.

    O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defendeu que haverá aprofundamento das desigualdades no setor público, sem a redução de gastos. Para Randolfe, se o Parlamento quiser fazer alguma mudança, primeiro terá que dar o exemplo, reduzindo as vebas indenizatórias dos gabinetes e a estruturas gigantescas do Senado e da Câmara. “Não podemos mudar a estrutura dos outros, sem mudar primeiro as nossas”.

    Para o senador Jean Paul Prates (PT-RN) disse que a reforma poupa justamente os mais privilegiados, como juízes, parlamentares, promotores e militares.Prates disse ainda que metade dos servidores ganha menos de R$ 2,7 mil por mês.

    Segundo o parlamentar potiguar, a máquina pública brasileira é menor que a da média dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, 15,2 % da população trabalha para o governo e, no Reino Unido, esse percentual chega a 16,4%. No Brasil, o índice é de 12,1.

    Especialistas

    Professor de Direito Administrativo, o senador Antonio Anastasia (PSD-MG), afirmou que os especialistas concordam que já passou da hora de haver mudanças. “A administração não é estática. Em determinado momento, deve haver um freio de arrumação”, afirmou o tucano. ” Se tivéssemos feito isso há 20 anos o Brasil estaria hoje em outra posição.”

    Os senadores Marcos Rogério (DEM-RO) e Lasier Martins (Podemos-RS) também mostraram-se a favor da reforma. “É mais do que necessário fazer uma profunda reforma do Estado brasileiro, tanto para reduzir seu peso no bolso do contribuinte quanto para torná-lo eficiente e justo”, afirmou Lasier.