São Miguel: lá, o medo de terremoto passou a integrar a rotina

    'Tivemos seis casas destruídas e mais de 60 com rachaduras. A emergência abarrotou de gente para atendimento psicológico'

    Foto: Reprodução/TV Bahia
    Foto: Reprodução/TV Bahia

     

    São Miguel das Matas, no Vale do Jiquiriçá, que divide com a vizinha Mutuípe o epicentro dos abalos que, no pico, domingo, chegaram a 4,2, antes não ligava para sustos com tremores de terra. Agora, segundo o prefeito Zé Renato (PDT), a conversa é outra:

    — Tivemos seis casas destruídas e mais de 60 com rachaduras. A emergência abarrotou de gente para atendimento psicológico. Não há como não se preocupar.

    Segundo Zé Renato, de sexta-feira da semana passada para cá, foram mais de 15 abalados, muitos de madrugada, não só de tirar o sono, mas de botar gente na rua. Na região, os sismógrafos registram mais de 20 abalos que variaram de 1,6 a 4,6 em Amargosa, Mutuípe, Elísio Medrado e Santo Antonio de Jesus.

    Novo normal

    E São Miguel, que já estava na emergência por causa da pandemia, agora vive esse problema. O prefeito diz que hoje está pagando aluguéis sociais, mas vai ter que bancar também a reconstrução das casas perdidas ou rachadas.

    Dona Dalva Malaquias, 42 anos, moradora, diz que no folclore as pessoas espalham piadas dizendo que um ou outro correu nu, mas o fato é que o bicho pegou:

    — Muitos fugiram de casa e choraram de medo mesmo.

    O fato é que tremores de terra na Bahia já causavam medo em São Félix e Cachoeira. Hoje, em outros municípios também. Com justos motivos. Segundo Zé Renato, definitivamente, o Vale do Jiquiriçá tem um novo normal.