Como Trump lá, bolsonaristas atacam as urnas cá. Mera coincidência? Bobagem

    Lá, como cá, quando eles ganharam pelo mesmo processo, não teve problema...

    Foto: Alan Santos/PR
    Foto: Alan Santos/PR

     

    Veja o encadeamento dos fatos. Ano passado, voltando dos EUA, após uma visita ao amigo Donald Trump, Bolsonaro levantou suspeitas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. Após a eleição de domingo (15), voltou a dizer que o Brasil precisa de um sistema ‘confiável’.

    Nos EUA, Trump perdeu e dá tanto murro na mesa dizendo que foi roubado sem provar nada. Lá, como cá, quando eles ganharam pelo mesmo processo, não teve problema. E agora o tom é o mesmo. Os aliados de Bolsonaro foram retumbante fracasso nas urnas, e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), bolsonarista carimbada, bradou.

    — O que houve com os conservadores? Erramos, nos pulverizamos ou sofremos uma fraude monumental?

    Barroso em cena

    E eis que entra em cena, no mesmo espetáculo, o ministro Luís Barroso, do STF, e presidente do TSE, denunciando que as urnas eletrônicas sofreram 480 mil ataques dos EUA, Nova Zelândia e do próprio Brasil.

    Tudo isso é mera coincidência? Para ficarmos na linguagem presidencial, só um bundão acreditaria nisso. Missa encomendada. Há precedentes de ataques escancarados às instituições partindo dos mesmos.

    Do ponto de vista político, hoje, Bolsonaro é poder. Estava na esperança de que seu lugar de fala privilegiado vitaminasse os simpatizantes. Não deu. Vá lá que democraticamente todos tenham direito de existir, mas ele não entendeu ainda que extremista, de direita ou de esquerda, rima com terrorista. E a maioria refuta isso.