A Bahia estaria hoje entre os estados que precisariam recorrer ao improviso caso o governo brasileiro decidisse adquirir a vacina produzida pela americana Pfizer e a alemã BioNTech. Com 95% de eficácia contra a Covid-19 e aprovado no Reino Unido para ser aplicado na população, o imunizante exige condições especiais de armazenamento, com temperaturas de -70º C.
A rede baiana de conservação de vacinas, porém, não dispõe desses ultracongeladores, assim como a logística brasileira em geral.
Atualmente, a rede de frios trabalha com temperaturas de 2°C a 8°C, uma vez que recebe mais de 40 tipos de vacinas do Programa Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde. Trata-se de um padrão de manutenção semelhante ao de geladeiras caseiras, o que limitaria o armazenamento da Pfizer/BioNTech por até cinco dias.
Apenas as vacinas contra a febre amarela e poliomielite são fabricadas em temperaturas negativas, embora possam ser estabilizadas nas temperaturas de 2°C a 8°C.
“Relatos preliminares da vacina contra o coronavírus (Covid-19) produzida pela Pfizer – Biontech, indicam que ela deverá ser armazenada em ultracongeladores, com temperaturas abaixo de 70°C negativos, equipamentos esses que não estão disponíveis na rede de frios do estado e dos municípios. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia dispõe desses equipamentos apenas no LACEN e HEMOBA”, explica a pasta em nota enviada ao bahia.ba.
Diante do desafio logístico, alternativamente, diz a Sesab, está sendo proposto pelo fabricante o emprego de kits com gelo seco, cuja validade é de até 14 dias.
Ainda assim, a Secretaria de Saúde estadual afirma ter um plano de distribuição na hipótese de o Ministério da Saúde vier a fazer a aquisição da vacina da Pfizer. “Estimamos que sejam necessários de quatro a cinco dias para o produto chegar ao estado e ser redistribuído aos municípios, restando nove ou dez dias para que haja a imunização da população.”
Durante a fase 3 de testes clínicos da Pfizer, cerca de mil voluntários baianos participaram dos estudos na capital baiana.
A SMS (Secretaria Municipal da Saúde), por sua vez, não informou se dispõe de estrutura para eventualmente acondicionar o imunizante. Ao bahia.ba, respondeu uma comissão interna está elaborando o Plano Municipal para imunização, instrumento que definirá e implementará as ações necessárias em relação ao recebimento e distribuição das vacinas para Covid-19.
“Até o momento, a pasta segue avançando com a estruturação da rede municipal para acondicionar corretamente o insumo que for definido pelo Ministério da Saúde e espera também as diretrizes do Plano Nacional”, afirmou em nota.
Na terça-feira (1º), o Ministério da Saúde informou que as vacinas contra a Covid-19 que serão incluídas no Plano Nacional de Imunização devem “fundamentalmente” ser termoestáveis e armazenadas em temperaturas de 2°C a 8°C.
Na prática, o anúncio significa que a vacina desenvolvida pela americana Pfizer e a alemã BioNTech não deve ser aplicada no país.
Vacinação começará com profissionais de saúde, maiores de 75 anos e indígenas
No mesmo dia, o órgão federal também estabeleceu que a vacinação contra o novo coronavírus deve começar com profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, população indígena e quem tem mais de 60 anos e vive viva em asilos ou instituições psiquiátricas (veja abaixo).
A data de início da campanha não foi divulgada, mas a previsão é que ele ocorra entre março e junho.
As quatro etapas da campanha de imunização deverão atingir 109,5 milhões de pessoas, nas estimativas do ministério, ou 51,4% da população do país.
AS QUATRO FASES DA VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 NO BRASIL
Primeira fase
Profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, população indígena e quem tem mais de 60 anos e vive em asilos ou instituições psiquiátricas
Segunda fase
Pessoas de de 60 a 74 anos
Terceira fase
Pessoas com doenças que elevam o risco de agravamento da Covid-19, como as doenças cardiovasculares
Quarta fase
Professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.

