Pazuello apresentou ao STF medidas parciais e equivocadas contra o coronavírus, diz associação

    Abrasco recomendou ao Ministério da Saúde especialistas que negam ter participado efetivamente de plano do governo

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma carta endereçada ao ministro Ricardo Lewandowski afirmando que o Ministério da Saúde apresentou à corte medidas parciais e equivocadas para a vacinação contra o novo coronavírus.

    O documento foi enviado na terça-feira (15), depois que o chefe da Saúde, ministro Eduardo Pazuello, incluiu nomes de especialistas que são vinculados à entidade e que foram destacados para ajudar o governo na elaboração do plano nacional de imunização coletiva.

    Os integrantes da Abrasco, no entanto,  dizem que não participaram efetivamente do planejamento e criticam a proposta do ministério. “A Abrasco não considera o que foi anunciado como um verdadeiro e efetivo plano para contenção da pandemia mediante vacinação de abrangência nacional. Entende que esse anúncio apenas enumera medidas parciais, e em alguns casos equivocadas, em resposta à crescente demanda da sociedade. Portanto o que foi apresentado é de exclusiva responsabilidade do governo federal”, diz em carta.

    A entidade explica ao STF que recomendou os especialistas ao governo como é parte da tradição do SUS (Sistema Único de Saúde), para colaborar com a construção do plano nacional de vacinação, prática repetida há 47 anos. “Entretanto, no caso em tela, [a Abrasco] enfatiza que a participação dos especialistas por ela indicados na construção do ‘plano’ foi esporádica, pouco sistemática e variável segundo a convocação de cada segmento e da participação de cada colaborador”.

    E completa: “O formato da discussão, segmentada em 10 grupos com temas específicos, dificultou a participação, por não haver clareza da totalidade da discussão. Além disso, o ambiente proporcionado pelo ministério nas reuniões foi pouco afeito ao diálogo e com orientações de sigilo, incompatíveis com uma prática de efetiva colaboração”.

    De acordo com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a entidade diz ainda no documento que considera urgente a apresentação de um “verdadeiro, completo e detalhado plano” para a imunização contra a Covid e recomenda que todos os produtos avaliados como eficazes, incluindo a Coronavac, devam fazer parte da campanha.