A Faroeste atingiu o governo na política e o Judiciário, na moral

    Nos meios jurídicos, segundo avalia um advogado com trânsito habitual no TJ, ‘o clima é sorumbático’

    Foto: Reprodução / TV Globo
    Foto: Reprodução / TV Globo

     

    ACM Neto foi cauteloso ao falar da Operação Faroeste. ‘Ninguém da oposição está envolvido’, limitou-se a ressalvar. Interpretando: politicamente, tudo bem.

    E assim o é porque a banda governista, incluso o próprio Rui Costa, silenciou, sinal de que a pancada foi forte, a maior que a era petista na Bahia, incluindo os oito anos de Jaques Wagner e os seis do atual governo, sofreu. Isso, logo após a ressaca das eleições em que ele perdeu nas três maiores cidades (Salvador, Feira e Conquista), sinaliza que 2020 foi particularmente ruim para os governistas.

    Clima

    Um tanto pior, porque essa fase da operação, além de envolver mais três desembargadores e o secretário da Segurança Pública, também pegou o Ministério Público, com a promotora Ediene Lousado, que chefiou a instituição em dois mandatos .

    Se nos meios políticos, onde os mandatos são transitórios, o clima é de muita apreensão, nos meios jurídicos, segundo a avaliação de um advogado com trânsito habitual no TJ, ‘o clima é sorumbático’, só lamentos.

    Perde a instituição como um todo. A dor que mais dói: magistrados ganham a vitaliciedade do cargo, exatamente para pairar sobre os feitos julgados sem o risco de retaliações futuras.

    O princípio é perfeito: o Estado assegurar a isenção de julgadores. Mas quando se vê um juiz condenado por desvios de conduta tão graves, a venda de sentenças, a desmoralização atinge a todos.

    Em Formosa, silêncio

    Em Formosa do Rio Preto, lá na divisa com Piauí, Maranhão e Tocantins, o cenário principal da Operação Faroeste, a lei que impera entre os 26 mil habitantes da vastidão dos seus mais de 16 mil quilômetros quadrados, a lei que impera sobre o caso é a do silêncio.

    Dos mais de 250 processos envolvendo questões de terra, há de vítimas contra grileiros e também de grileiros contra as vítimas; e as partes, na grande maioria, ainda esperam a solução para suas pendengas.

    Com 80% de área no cerrado, propícia para o plantio da soja, a coisa começou há mais de 20 anos, quando alguns compraram terras e logo apareceram outros donos. Ou seja, ainda tem muita terra com dois donos.