Militares ligados a Salles dominam reuniões de fusão do Ibama e ICMBio, diz coluna

    Com atas genéricas, encontros tiveram até 100% de presença militar

    Foto: Lula Marques/Agência PT

    O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escalou militares para dominar as reuniões que estudam a fusão entre o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A informação é da coluna de Guilherme Amado, da revista Época.

    Criado em outubro, o grupo de trabalho já fez oito encontros no ministério para avaliar a proposta. Segundo a publicação, as reuniões tiveram de 66% a 100% de presença militar.

    A reunião mais recente, em 27 de novembro, foi feita apenas por quatro militares que vieram da Polícia Militar de São Paulo: Luís Gustavo Biagioni, número dois da pasta; Fernando César Lorencini, presidente do ICMBio; Luís Carlos Hiromi Nagao, diretor do Ibama; e Carlos Eduardo dos Santos Monteiro, coordenador do Ibama.

    No quinto encontro, em 5 de novembro, todos os três participantes eram da PM paulista.

    Até o momento, 13 pessoas já compareceram às oito reuniões: nove militares — oito da PM de São Paulo e um bombeiro militar — e quatro civis. Todos ligados a Salles.

    A sociedade civil não foi permitida no grupo, que não produzirá nenhum relatório preliminar antes de concluir os trabalhos, até abril.

    As atas das reuniões limitam-se a listar dois ou três tópicos genéricos, sem qualquer detalhamento das discussões.

    “A fusão das entidades poderá trazer ganhos de eficiência”, escreveu o secretário-executivo do Meio Ambiente à Consultoria Jurídica da pasta em 30 de setembro, emendando:

    “Avaliação dessa medida é fundamental para os atuais desafios da gestão ambiental federal no contexto nacional, bem como sob a égide da racionalidade orçamentária na qual a sociedade brasileira fora inserida nos últimos anos”.

    Os documentos foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.