Bolsonaro critica Ernesto Araújo e avalia saída do ministro após problemas com a China

    Presidente se irritou ao saber que chanceler e embaixada chinesa não se falavam desde março de 2020

    Foto: Alan Santos/PR

    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamou da atitude do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, na relação com a China. Em reunião na quarta-feira (20), o mandatário foi informado que o chanceler e a embaixada chinesa não se falavam desde março do ano passado, após duras críticas feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro ao embaixador, Yang Wanming.

    Segundo o jornal Folha de S. Paulo, assessores afirmam que, apesar da posição ideológica do presidente, ele acredita que o diálogo não poderia ter sido rompido entre o Brasil e a China, que fornece insumos para a fabricação das vacinas contra o novo coronavírus. Agora, Ernesto Araújo busca retomar o diálogo com o país asiático.

    Conforme a CNN, integrantes do alto escalão do Governo Federal admitiram que os ataques feitos ao embaixador chinês teriam motivado o país a ter atrasado a importação dos insumos. O fato, contudo, é rebatido pelo ministro, que descartou na quarta-feira que o motivo do atraso tenha sido por problemas políticos e diplomáticos.

    Demissão

    A possibilidade de demissão de Ernesto Araújo já é avaliada pelo presidente, de acordo com assessores do Palácio do Planalto. Contudo, mesmo com a pressão, Bolsonaro decidiu dar uma segunda chance ao chanceler.

    O mandatário já sinalizou nos bastidores que não pretende trocar de ministro neste momento, no entanto, não garantiu a permanência de Ernesto por muito tempo.

    Para afastar rumores de rusgas com o ministro, Bolsonaro teceu elogios a ele nas redes sociais e durante live nesta quinta-feira (21), descartou a demissão.

    “Quem demite ministro sou eu. Ninguém me procurou, nem ousaria me procurar no tocante a isso”, afirmou.