Na venda da RLAM, só quem ganha é o comprador. Nós ficamos nas mãos deles

    O monopólio que era estatal passa a ser privado, e fica a sensação de que estão fazendo capitalismo com o nosso capital

    Foto: Divulgação/ Petrobras
    Foto: Divulgação/ Petrobras

     

    Nos EUA, há mais de 50 empresas que prospectam, extraem e refinam petróleo. No Brasil, até para se proteger da ganância gringa, Monteiro Lobato deflagrou a campanha ‘O petróleo é nosso’. Foi nesse embalo que a Refinaria de Mataripe, agora vendida, nasceu, sob o manto da Petrobras, a única que prospectava e refinava.

    Eis a questão: a Petrobras monopoliza também o mercado, e é justo que esse monopólio passe com malas e bagagens para a iniciativa privada?

    Radiovaldo Costa, diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros, lista uma série de fatos instigantes.

    Veja as pontuações dele:

    1 — O grupo que comprou, o Mubadala Capital, nunca operou na área de petróleo. São investidores que visam pura e simplesmente o lucro.

    2 — Hoje trabalham, entre diretos e terceirizados, 2.500 trabalhadores na refinaria. A tendência é menos gente com salários mais baixos.

    3 — Comprar a RLAM não é comprar açucar e arroz. O comprador comprou também o mercado. A refinaria atende a Bahia, o Nordeste e parte de Minas. O preço, R$ 8 bilhões, foi sub-avaliado. Valeria ao menos o dobro.

    4 — O dinheiro da venda não vai para o governo, e sim para os cofres da Petrobras.

    Conclusão: o monopólio que era estatal passa a ser privado, e fica a sensação de que estão fazendo capitalismo com o nosso capital. Monteiro Lobato treme.