Vilas-Boas relata experiência ‘terrível’ durante tratamento contra coronavírus

    Secretário de Saúde da Bahia chegou a ir para UTI do Hospital Aliança, onde ficou internado entre 19 e 28 de fevereiro

    Foto: Matheus Morais/bahia.ba

    O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, relatou ter enfrentado uma experiência “terrível” diante do novo coronavírus, doença que o fez parar na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Aliança, em Salvador. Segundo o secetário, foi a primeira vez na vida que viu sua “existência ser ameaçada”.

    “É uma situação de uma doença que você não tem controle nenhum, nenhum. Pra várias outras doenças, você tem um antibiótico, um medicamento, uma cirurgia, algum alternativa que lhe dá algum tipo de esperança. No caso dessa infecção viral, a gente não tem nada”, disse nesta terça-feira (9) em entrevista à rádio Metrópole.

    Villas-Boas, que anunciou diagnóstico positivo para a Covid-19 em 16 de fevereiro, recebeu alta no dia 28 do mesmo mês.

    “Durante muito tempo se vendeu a ilusão de que havia tratamento precoce ou algum tipo de medicamento que pudesse atenuar a progressão da doença. Mas, efentivamente, as duas únicas intervenções que mostraram algum tipo de redução relativa, não é muito significativa, foi o uso de anticoagulante, pra quem estar internado, e o uso de corticóide, pra quem está internado. Fora isso, é uma loteria”, descreveu o secretário.

    Vilas-Boas disse que ter sentido os primeiros sintomas numa sexta-feira. “Eu comecei com um pouquinho de broncoespasmo. Eu tenho uma asma bem levezinha que me acompanha a vida inteira. Eu comecei a ter um pequeno broncoespasmo numa sexta-feira. Achei que não era nada importante. Na segunda-feira, amanheci sentindo um pouco de frio. Achei que o ar-condicionado tava frio demais, e aí eu vi que tinha alguma coisa errada, porque normalmente eu tenho calor. Cheguei na secretaria e já pedi pra fazerem um teste rápido, de swab nasal de antígeno”, disse o secretário, cujo quadro pirou três dias depois de confirmada a infecção.

    Segundo ele, a decisão de ir para o hospital se deu para evitar complicações durante a noite.

    Ao relembrar dos piores momentos da internação, Vilas-Boas narra uma febre de 39,5 º C. “Você acorda completamente encharcado de suor, camisa, lençol, coberta. O corpo parece que se desfaz, a carne vai se desfazendo com o suor. E, junto com a dificuldade respiratória, vem a fraqueza muscular, que é um outro componente da doença. Você tem o que eles chama de sacorpenia, que e uma destruição, uma liquefação de seus músculos. Eu olho pras minhas pernas, que eu faço execício físico e tudo, e não acredito que esses cambitinhoss aqui eram as permas que eu tinha a um mês atrás “, contou o secretário, que atualmente se recupera fazendo exercícios físicios e respiratórios.

    Vilas-Boas afirmou ainda ser uma incógnita sobre como a doença pode evoluir de pessoa para pessoa. “O seu organismo pode responder bem, evoluir sem sintomas nenhum. Quantas pessoas passam aí, e não têm nada? Ou pode pegar um caminho ruim de ir pra o hospital, ir pra UTI, não responder e acabar indo pro tubo, ventilação mecânica, as complicações todas associadas à ventilação mecânica: pneumonia, insuficiência renal. Tem todo um rosário que as pessoas acabam evoluindo e no final acabam morrendo grande parte dessas pessoas”, explicou.