Bolsonaro culpa isolamento contra coronavírus por alta dos alimentos

    Presidente também reclamou dos novos aumentos de impostos nos combustíveis, promovidos por 19 governos estaduais

    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) culpou nesta segunda-feira (15) as medidas restritivas contra a disseminação do coronavírus pela alta dos alimentos. Em um ano, a inflação dos gêneros alimentícios ficou em 15%, praticamente três vezes maior que o índice oficial do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos dias, o presidente vem reclamando porque acredita que não pode ser culpado pelo aumento do preço da comida.

    “A política do ‘fique em casa’, feche tudo e destruir [sic] milhões de empregos… a consequência está aí”, afirmou Bolsonaro no jardim do Palácio do Alvorada, pela manhã, diante de uma plateia de militantes. “Agora, todo mundo é responsável… agora quem está com essa política excessiva do ‘fique em casa’? Não sou eu.”

    Bolsonaro reclamou dos novos aumentos de impostos nos combustíveis, promovidos por 19 governos estaduais. A atuação do presidente em relação aos alimentos e aos combustíveis tem sido diferente.

    Os preços da carne subiram ainda antes da pandemia; os do arroz, depois. O governo disse que não interferiria nos preços. Bolsonaro chegou a mandar um apoiador ir comprar arroz na Venezuela.

    Mas, após paralisação de caminhoneiros por conta da alta de combustíveis, o governo agiu de modo diferente. Bolsonaro anunciou a demissão do presidente da Petrobras e suspendeu temporariamente os impostos federais sobre o diesel e o botijão de gás. Depois da redução de tributos, porém, a Petrobras anunciou outro aumento de preços e 19 governos estaduais elevaram o ICMS sobre os produtos.

    Na manhã de hoje, Bolsonaro reclamou da elevação do ICMS. “Desde que eu cheguei, estou brigando, falei com o Arthur Lira [PP-AL, presidente da Câmara], [que] deve colocar em pauta”, afirmou a um apoiador que questionou sobre o preço do álcool.

    “Quer dizer: eu baixei o imposto para ficar mais barato o diesel, o gás de cozinha, e 19 governadores querem que vocês continuem pagando alto o diesel e o gás de cozinha.”

    Outro militante perguntou a ele se era possível baixar também os preços dos alimentos. Então, Bolsonaro reclamou das medidas de restrição de circulação de pessoas nas ruas para evitar o aumento de mortes por coronavírus.

    “Imagina se o homem do campo estivesse em casa. Não teria alimento para ninguém”. Apesar disso, Bolsonaro disse que está fazendo “sua parte”. “Fique tranquilo, vamos chegar a um bom termo.”

    (Com informações do portal UOL)