Relatório mostra pressão do governo Trump para Brasil não comprar Sputnik V

    Tentativa de persuadir o Brasil foi citada no trecho sobre combate às 'influências malignas nas Américas'

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Os Estados Unidos chegaram a pressionar o Brasil a não comprar a vacina russa Sputnik V, contra o novo coronavírus. A informação consta em um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) sobre as ações tomadas pelos EUA no ano passado frente à pandemia. Departamento era comandado por Alex Azar, que chefiou a pasta entre 2018 e 2021.

    No documento, um trecho que fala sobre “combater as influências malignas nas Américas” afirma que o Escritório de Assuntos Globais do HHS “usou as relações diplomáticas na região para mitigar os esforços” de Cuba, Venezuela e Rússia, “que estão trabalhando para aumentar sua influência na região em detrimento da segurança dos Estados Unidos”.

    Segundo o relatório, existia uma espécie de coordenação com outras agências governamentais do país com o intuito de “fortalecer os laços diplomáticos e oferecer assistência técnica e humanitária para dissuadir os países da região de aceitar ajuda desses estados mal-intencionados”.

    Os dois exemplos citados pelo documento foram persuadir o Brasil a rejeitar a Sputnik V com o uso do escritório de saúde da OGA; e ainda ofertar assistência técnica ao Panamá para que o país não aceitasse médicos cubanos.

    O Fundo Soberano Russo, que financia a produção da vacina, disse que o “o Departamento de Saúde dos Estados Unidos confirmou publicamente que pressionou o Brasil contra a Sputnik V”.