O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou nesta quinta-feira (18) que a postura anti-vacina do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “destruiu” a economia brasileira e levou o país a figurar como epicentro de mortes provocadas pelo novo coronavírus. Na avaliação do governador, a rejeição recorde ao trabalho da gestão federal da pandemia deve-se sobretudo à “falta de capacidade” de Bolsonaro de enfrentar a crise sanitária.
Segundo o Datafolha, 54% dos brasileiros veem a atuação do presidente como ruim ou péssima na semana em que foi apresentado o quarto ministro da Saúde de seu governo — o cardiologista Marcelo Queiroga.
“Mesmo no período em função do auxílio [emergencial], em que ele cresceu consideravelmente, na Bahia esse crescimento não foi nada expressivo. E agora as taxas estão absolutamente lá no chão. E tem razão de ser. Hoje, se o povo sofre, se o comércio tem que fechar e o desemprego está alto, o responsável é o presidente da República”, disse Rui Costa em entrevista à TV GGN, do jornalista Luís Nassif.
Alvo de reiterados ataques do presidente por adotar medidas de restrição para conter a disseminação do Sars-CoV-2, o chefe do Executivo baiano afirmou que, se governo federal tivesse assegurado a compra de vacinas em um plano nacional de imunização, hoje não seria preciso determinar o fechamento do comércio.
“E eu digo aos comerciantes aqui que, infelizmente, têm que fechar seus estabelecimentos: se o presidente tivesse comprado 70 milhões de vacinas da Pfizer, que tinha se comprometido a entregar em dezembro, janeiro, fevereiro. Se tivesse comprado 50 milhões de doses, que nós oferecemos um pré-contrato da Sputnik, só aí teríamos 120 milhões de doses, 60 milhões de brasileiros teriam sido imunizados. Não estava precisando fechar a economia. Não estava precisando tantas mortes acontecerem”, declarou Rui Costa.
“Infelizmente, o desemprego e o fechamento de empresas e do comércio se deve à falta de capacidade e competência do governo federal de não comprar vacina, de não cuidar da pandemia”, acrescentou.
O governador da Bahia lamentou também o fato de o Brasil ocupar atualmente o posto de “campeão mundial” de óbitos por coronavírus — são, até agora, 284.775 mortes – segundo maior total em todo o mundo, atrás apenas dos dos Estados Unidos.
“Infelizmente, daqui a 50 anos, quando as pessoas estiverem discutindo nas universidades o que foi a pandemia no mundo, o mundo inteiro vai discutir que o pior país do mundo na pandemia foi o Brasil, que tinha um presidente que não usava máscara, que dizia ao povo pra sair na rua pra aglomerar, que tinha que morrer muita gente, porque aí rapidamente ia ter imunização de rebanho. Que não precisava de vacina porque a vacina seria a imunização de rebanho, a tese dele era essa. A está ai: o país esta disputando agora para ser o campeão mundial de mortes”, criticou Rui Costa.

