Doação de órgãos cai até 62% na Bahia durante pandemia

    Conforme a Sesab ao bahia.ba, transplante e doação de córnea tiveram a maior queda

    Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

    A doação de órgãos registrou uma grande queda na Bahia em 2020, início da pandemia do novo coronavírus, se comprado com 2019. Segundo dados enviados pela Secretaria estadual de Saúde (Sesab) ao bahia.ba, o transplante e a doação de córnea registraram a maior queda. O primeiro saiu de 743 para 281, gerando uma redução de 62%; já o segundo foi de 797 para 323, apresentando uma queda de 59%.

    Atrás deles aparecem transplante hepático, que em 2019 aconteceu 41 vezes e ano passado, 29, com uma redução de 29%, doação de múltiplos órgãos, saindo de 158 para 123 (-23%); e transplante renal, que antes era de 306 e em 2020 ocorreu 240 vezes (-22%).

    Conforme o Ministério da Saúde em um balanço divulgado em setembro do ano passado, a pandemia do novo coronavírus reduziu as doações de órgãos no Brasil em 40%. Apesar da redução na taxa da recusa das famílias em permitir as doações, que saiu de 39,9% entre janeiro e julho de 2019, para 37,2% no mesmo período de 2020, o número de notificações de doadores reduziu 8,4%.

    Órgãos de vítimas do coronavírus

    Com a confirmação da morte do senador Major Olímpio (PSL-SP) por complicações da Covid-19 na quinta-feira (18), foi levantado o debate em torno da doação de órgãos de vítimas da doença após a família informar que “está verificando quais órgãos serão doados”. Apesar da possibilidade ser discutida, a doação não é permitida, conforme nota técnica do Ministério da Saúde.

    De acordo com a pasta, existe a “contra-indicação absoluta para doação de órgãos e tecidos” de pessoas que tenham morrido em decorrência do coronavírus, com teste positivo para a doença ou com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). A proibição é feita para evitar que o paciente transplantado e equipe médica sejam infectados pelo vírus.

    Contudo, apesar da proibição, existe uma brecha para uma possível utilização dos órgãos, que ocorre quando o paciente já tenha sido considerado “curado” ou “recuperado”, com a presença do vírus constando como negativa nos testes.