Economistas, banqueiros e empresários assinam carta cobrando medidas efetivas na pandemia

    Carta aberta com mais de 500 assinaturas alerta sobre momento crítico e cobra combate ao vírus

    Foto: Divulgação Fecomércio-BA

    Economistas, banqueiros e empresários se uniram para produzir uma carta aberta cobrando medidas efetivas contra a pandemia de Covid-19 no Brasil. Em uma carta aberta que reuniu mais de 500 assinaturas, com embasamento em dados, eles alertam sobre a gravidade do momento e seus riscos para o país, além de detalhar medidas que podem contribuir no enfrentamento ao vírus.

    O ofício é a primeira manifestação de peso de representantes da área econômica no atual pico de contágios e mortes, segundo informações da Folha de S.Paulo. “Estamos no limiar de uma fase explosiva da pandemia e é fundamental que a partir de agora as políticas públicas sejam alicerçadas em dados, informações confiáveis e evidência científica. Não há mais tempo para perder em debates estéreis e notícias falsas. Precisamos nos guiar pelas experiências bem-sucedidas, por ações de baixo custo e alto impacto, por iniciativas que possam reverter de fato a situação sem precedentes que o país vive”, dizem, no documento.

    Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a carta afirma que a postura adotada por líderes políticos pode fazer diferença tanto para o bem quanto para o mal e, dependendo, reforçar normas antissociais, dificultar a adesão da população a comportamentos responsáveis, ampliar o número de infectados e de mortes e aumentar os custos que o país incorre.

    “O desdenho à ciência, o apelo a tratamentos sem evidência de eficácia, o estímulo à aglomeração e o flerte com o movimento antivacina, caracterizou a liderança política maior no país”, afirmam. O texto diz ainda que a situação econômica e social trazida pelo agravamento da pandemia é desoladora, e pode insurgir uma nova contração da atividade no primeiro trimestre deste ano.

    “Essa recessão […] não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal. Este subutiliza e utiliza mal os recursos de que dispõe, inclusive por ignorar ou negligenciar a evidência científica no desenho das ações para lidar com a pandemia”, declara o grupo.

    Na extensa carta também consta a sinalização de que é falso o dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável e que dados preliminares de óbitos e desempenho econômico sugerem que os países com pior desempenho econômico tiveram mais mortes de Covid-19.

    Na sequência, apontam medidas consideradas como indispensáveis para o combate à pandemia, como a aceleração do ritmo de vacinação, o incentivo ao uso de máscaras – tanto com distribuição gratuita quanto com orientação educativa–, a implementação de medidas de distanciamento social e a criação de um mecanismo de coordenação do combate à pandemia em âmbito nacional, orientado por uma comissão de cientistas e especialistas.

    Veja o documento na íntegra:

    CARTA ABERTA À SOCIEDADE REFERENTE A MEDIDAS DE COMBATE À PANDEMIA
    O Brasil é hoje o epicentro mundial da Covid-19, com a maior média móvel de novos casos.

    Enquanto caminhamos para atingir a marca tétrica de 3 mil mortes por dia e um total de mortes acumuladas de 300 mil ainda esse mês, o quadro fica ainda mais alarmante com o esgotamento dos recursos de saúde na grande maioria de estados, com insuficiente número de leitos de UTI, respiradores e profissionais de saúde. Essa situação tem levado a mortes de pacientes na espera pelo atendimento, contribuindo para uma maior letalidade da doença.

    A situação econômica e social é desoladora. O PIB encolheu 4,1% em 2020 e provavelmente observaremos uma contração no nível de atividade no primeiro trimestre deste ano. A taxa de desemprego, por volta de 14%, é a mais elevada da série histórica, e subestima o aumento do desemprego, pois a pandemia fez com que muitos trabalhadores deixassem de procurar emprego, levando a uma queda da força de trabalho entre fevereiro e dezembro de 5,5 milhões de pessoas.

    A contração da economia afetou desproporcionalmente trabalhadores mais pobres e vulneráveis, com uma queda de 10,5% no número de trabalhadores informais empregados, aproximadamente duas vezes a queda proporcional no número de trabalhadores formais empregados.

    Esta recessão, assim como suas consequências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal. Este subutiliza ou utiliza mal os recursos de que dispõe, inclusive por ignorar ou negligenciar a evidência científica no desenho das ações para lidar com a pandemia. Sabemos que a saída definitiva da crise requer a vacinação em massa da população. Infelizmente, estamos atrasados. Em torno de 5% da população recebeu ao menos uma dose de vacina, o que nos coloca na 45ª posição no ranking mundial de doses aplicadas por habitante.

    O ritmo de vacinação no país é insuficiente para vacinar os grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI) no 1º semestre de 2021, o que amplia o horizonte de vacinação para toda a população para meados de 2022.

    As consequências são inomináveis. No momento, o Brasil passa por escassez de doses de vacina, com recorrentes atrasos no calendário de entregas e revisões para baixo na previsão de disponibilidade de doses a cada mês. Na semana iniciada em 8 de março foram aplicadas, em média, apenas 177 mil doses por dia.

    No ritmo atual, levaríamos mais de 3 anos para vacinar toda a população. O surgimento de novas cepas no país (em especial a P.1) comprovadamente mais transmissíveis e potencialmente mais agressivas, torna a vacinação ainda mais urgente. A disseminação em larga escala do vírus, além de magnificar o número de doentes e mortos, aumenta a probabilidade de surgirem novas variantes com potencial de diminuir a eficácia das vacinas atuais.

    Vacinas são relativamente baratas face ao custo que a pandemia impõe à sociedade. Os recursos federais para compra de vacinas somam R$ 22 bilhões, uma pequena fração dos R$ 327 bilhões desembolsados nos programas de auxílio emergencial e manutenção do emprego no ano de 2020.

    Vacinas têm um benefício privado e social elevado, e um custo total comparativamente baixo. Poderíamos estar em melhor situação, o Brasil tem infraestrutura para isso. Em 1992, conseguimos vacinar 48 milhões de crianças contra o sarampo em apenas um mês.

    Na campanha contra a Covid-19, se estivéssemos vacinando tão rápido quanto a Turquia, teríamos alcançado uma proporção da população duas vezes maior, e se tanto quanto o Chile, dez vezes maior. A falta de vacinas é o principal gargalo. Impressiona a negligência com as aquisições, dado que, desde o início da pandemia, foram desembolsados R$ 528,3 bilhões em medidas de combate à pandemia,

    incluindo os custos adicionais de saúde e gastos para mitigação da deteriorada situação econômica. A redução do nível da atividade nos custou uma perda de arrecadação tributária apenas no âmbito federal de 6,9%, aproximadamente R$ 58 bilhões, e o atraso na vacinação irá custar em termos de produto ou renda não gerada nada menos do que estimados R$ 131,4 bilhões em 2021, supondo uma recuperação retardatária em 2 trimestres.

    Nesta perspectiva, a relação benefício custo da vacina é da ordem de seis vezes para cada real gasto na sua aquisição e aplicação. A insuficiente oferta de vacinas no país não se deve ao seu elevado custo, nem à falta de recursos orçamentários, mas à falta de prioridade atribuída à vacinação.

    O quadro atual ainda poderá deteriorar-se muito se não houver esforços efetivos de coordenação nacional no apoio a governadores e prefeitos para limitação de mobilidade. Enquanto se busca encurtar os tempos e aumentar o número de doses de vacina disponíveis, é urgente o reforço de medidas de distanciamento social. Da mesma forma é essencial a introdução de incentivos e políticas públicas para uso de máscaras mais eficientes, em linha com os esforços observados na União Europeia e nos Estados Unidos.

    A controvérsia em torno dos impactos econômicos do distanciamento social reflete o falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável. Na realidade, dados preliminares de óbitos e desempenho econômico sugerem que os países com pior desempenho econômico tiveram mais óbitos de Covid-19. A experiência mostrou que mesmo países que optaram inicialmente por evitar o lockdown terminaram por adotá-lo, em formas variadas, diante do agravamento da pandemia – é o caso do Reino Unido, por exemplo. Estudos mostraram que diante da aceleração de novos casos, a população responde ficando mais avessa ao risco sanitário, aumentando o isolamento voluntário e levando à queda no consumo das famílias mesmo antes ou sem que medidas restritivas formais sejam adotadas.15 A recuperação econômica, por sua vez, é lenta e depende da retomada de confiança e maior previsibilidade da situação de saúde no país.

    Logo, não é razoável esperar a recuperação da atividade econômica em uma epidemia descontrolada.

    O efeito devastador da pandemia sobre a economia tornou evidente a precariedade do nosso sistema de proteção social. Em particular, os trabalhadores informais, que constituem mais de 40% da força de trabalho, não têm proteção contra o desemprego. No ano passado, o auxílio emergencial foi fundamental para assistir esses trabalhadores mais vulneráveis que perderam seus empregos, e levou a uma redução da pobreza, evidenciando a necessidade de melhoria do nosso sistema de proteção social. Enquanto a pandemia perdurar, medidas que apoiem os mais vulneráveis, como o auxílio emergencial, se fazem necessárias. Em paralelo, não devemos adiar mais o encaminhamento de uma reforma no sistema de proteção social, visando aprimorar a atual rede de assistência social e prover seguro aos informais. Uma proposta nesses moldes é o programa de Responsabilidade Social, patrocinado pelo Centro de Debate de Políticas Públicas, encaminhado para o Congresso no final do ano passado.

    Outras medidas de apoio às pequenas e médias empresas também se fazem necessárias. A experiência internacional com programas de aval público para financiamento privado voltado para pequenos empreendedores durante um choque negativo foi bem-sucedida na manutenção de emprego, gerando um benefício líquido positivo à sociedade.

    O aumento em 34,7% do endividamento dos pequenos negócios durante a pandemia amplifica essa necessidade. A retomada de linhas avalizadas pelo Fundo Garantidor para Investimentos e Fundo de Garantia de Operações é uma medida importante de transição entre a segunda onda e o pós-crise.

    Estamos no limiar de uma fase explosiva da pandemia e é fundamental que a partir de agora as políticas públicas sejam alicerçadas em dados, informações confiáveis e evidência científica. Não há mais tempo para perder em debates estéreis e notícias falsas. Precisamos nos guiar pelas experiências bem-sucedidas, por ações de baixo custo e alto impacto, por iniciativas que possam reverter de fato a situação sem precedentes que o país vive.

    Medidas indispensáveis de combate à pandemia: a vacinação em massa é condição sine qua non para a recuperação econômica e redução dos óbitos.

    1. Acelerar o ritmo da vacinação. O maior gargalo para aumentar o ritmo da vacinação é a escassez de vacinas disponíveis. Deve-se, portanto, aumentar a oferta de vacinas de forma urgente. A estratégia de depender da capacidade de produção local limitou a disponibilidade de doses ante a alternativa de pré-contratar doses prontas, como fez o Chile e outros países. Perdeu-se um tempo precioso e a assinatura de novos contratos agora não garante oferta de vacinas em prazo curto. É imperativo negociar com todos os laboratórios que dispõem de vacinas já aprovadas por agências de vigilância internacionais relevantes e buscar antecipação de entrega do maior número possível de doses. Tendo em vista a escassez de oferta no mercado internacional, é fundamental usar a política externa – desidratada de ideologia ou alinhamentos automáticos – para apoiar a obtenção de vacinas, seja nos grandes países produtores seja nos países que têm ou terão excedentes em breve.

    A vacinação é uma corrida contra o surgimento de novas variantes que podem escapar da imunidade de infecções passadas e de vacinas antigas. As novas variantes surgidas no Brasil tornam o controle da pandemia mais desafiador, dada a maior transmissibilidade.

    Com o descontrole da pandemia é questão de tempo até emergirem novas variantes. O Brasil precisa ampliar suas capacidades de sequenciamento genômico em tempo real, de compartilhar dados com a comunidade internacional e de testar a eficácia das vacinas contra outras variantes com máxima agilidade. Falhas e atrasos nesse processo podem colocar em risco toda a população brasileira, e também de outros países.

    2. Incentivar o uso de máscaras tanto com distribuição gratuita quanto com orientação educativa. Economistas estimaram que se os Estados Unidos tivessem adotado regras de uso de máscaras no início da pandemia poderiam ter reduzido de forma expressiva o número de óbitos. Mesmo se um usuário de máscara for infectado pelo vírus, a máscara pode reduzir a gravidade dos sintomas, pois reduz a carga viral inicial que o usuário é exposto. Países da União Europeia e os Estados Unidos passaram a recomendar o uso de máscaras mais eficientes – máscaras cirúrgicas e padrão PFF2/N95 – como resposta às novas variantes. O Brasil poderia fazer o mesmo, distribuindo máscaras melhores à população de baixa renda, xplicando a importância do seu uso na prevenção da transmissão da Covid.

    Máscaras com filtragem adequada têm preços a partir de R$ 3 a unidade. A distribuição gratuita direcionada para pessoas sem condições de comprá-las, acompanhada de instrução correta de reuso, teria um baixo custo frente aos benefícios de contenção da Covid-1923. Considerando o público do auxílio emergencial, de 68 milhões de pessoas, por exemplo, e cinco reusos da máscara, tal como recomenda o Center for Disease Control do EUA, chegaríamos a um custo mensal de R$ 1 bilhão. Isto é, 2% do gasto estimado mensal com o auxílio emergencial. Embora leis de uso de máscara ajudem, informar corretamente a população e as lideranças darem o exemplo também é importante, e tem impacto na trajetória da epidemia. Inversamente, estudos mostram que mensagens contrárias às medidas de prevenção afetam a sua adoção pela população, levando ao aumento do contágio.

    3. Implementar medidas de distanciamento social no âmbito local com coordenação nacional. O termo “distanciamento social” abriga uma série de medidas distintas, que incluem a proibição de aglomeração em locais públicos, o estímulo ao trabalho a distância, o fechamento de estabelecimentos comerciais, esportivos, entre outros, e – no limite – escolas e creches. Cada uma dessas medidas tem impactos sociais e setoriais distintos. A melhor combinação é aquela que maximize os benefícios em termos de redução da transmissão do vírus e minimize seus efeitos econômicos, e depende das características da geografia e da economia de cada região ou cidade. Isso sugere que as decisões quanto a essas medidas devem ser de responsabilidade das autoridades locais.

    Com o agravamento da pandemia e esgotamento dos recursos de saúde, muitos estados não tiveram alternativa senão adotar medidas mais drásticas, como fechamento de todas as atividades não-essenciais e o toque de recolher à noite. Os gestores estaduais e municipais têm enfrentado campanhas contrárias por parte do governo federal e dos seus apoiadores. Para maximizar a efetividade das medidas tomadas, é indispensável que elas sejam apoiadas, em especial pelos órgãos federais. Em particular, é imprescindível uma coordenação em âmbito nacional que permita a adoção de medidas de caráter nacional, regional ou estadual, caso se avalie que é necessário cercear a mobilidade entre as cidades e/ou estados ou mesmo a entrada de estrangeiros no país.

    A necessidade de adotar um lockdown nacional ou regional deveria ser avaliado. É urgente que os diferentes níveis de governo estejam preparados para implementar um lockdown emergencial, definindo critérios para a sua adoção em termos de escopo, abrangência das atividades cobertas, cronograma de implementação e duração.

    Ademais, é necessário levar em consideração que o acréscimo de adesão ao distanciamento social entre os mais vulneráveis depende crucialmente do auxílio emergencial. Há sólida evidência de que programas de amparo socioeconômico durante a pandemia aumentaram o respeito às regras de isolamento social dos beneficiários. É, portanto, não só mais justo como mais eficiente focalizar a assistência nas populações de baixa renda, que são mais expostas nas suas atividades de trabalho e mais vulneráveis financeiramente.

    Dentre a combinação de medidas possíveis, a questão do funcionamento das escolas merece atenção especial. Há estudos mostrando que não há correlação entre aumento de casos de infecção e reabertura de escolas no mundo26. Há também informações sobre o nível relativamente reduzido de contágio nas escolas de São Paulo após sua abertura.

    As funções da escola, principalmente nos anos do ensino fundamental, vão além da transmissão do conhecimento, incluindo cuidados e acesso à alimentação de crianças, liberando os pais – principalmente as mães – para o trabalho. O fechamento de escolas no Brasil atingiu de forma mais dura as crianças mais pobres e suas mães. A evidência mostra que alunos de baixa renda, com menor acesso às ferramentas digitais, enfrentam maiores dificuldade de completar as atividades educativas, ampliando a desigualdade da formação de capital humano entre os estudantes28.

    Portanto, as escolas devem ser as últimas a fechar e as primeiras a reabrir em um esquema de distanciamento social. Há aqui um papel fundamental para o Ministério da Educação em cooperação com o Ministério da Saúde na definição e comunicação de procedimentos que contribuam para a minimização dos riscos de contágio nas escolas, além do uso de ferramentas comportamentais para retenção da evasão escolar, como o uso de mensagens de celular como estímulo para motivar os estudantes, conforme adotado em São Paulo e Goiás.

    4. Criar mecanismo de coordenação do combate à pandemia em âmbito nacional – preferencialmente pelo Ministério da Saúde e, na sua ausência, por consórcio de governadores – orientada por uma comissão de cientistas e especialistas, se tornou urgente. Diretrizes nacionais são ainda mais necessárias com a escassez de vacinas e logo a necessidade de definição de grupos prioritários; com as tentativas e erros no distanciamento social; a limitada compreensão por muitos dos pilares da prevenção, particularmente da importância do uso de máscara, e outras medidas no âmbito do relacionamento social.

    Na ausência de coordenação federal, é essencial a concertação entre os entes subnacionais, consórcio para a compra de vacinas e para a adoção de medidas de supressão.

    O papel de liderança: Apesar do negacionismo de alguns poucos, praticamente todos os líderes da comunidade internacional tomaram a frente no combate ao Covid-19 desde março de 2020, quando a OMS declarou o caráter pandêmico da crise sanitária. Informando, notando a gravidade de uma crise sem precedentes em 100 anos, guiando a ação dos indivíduos e influenciado o comportamento social.

    Líderes políticos, com acesso à mídia e às redes, recursos de Estado, e comandando atenção, fazem a diferença: para o bem e para o mal. O desdenho à ciência, o apelo a tratamentos sem evidência de eficácia, o estímulo à aglomeração, e o flerte com o movimento antivacina, caracterizou a liderança política maior no país. Essa postura reforça normas antissociais, dificulta a adesão da população a comportamentos responsáveis, amplia o número de infectados e de óbitos, aumenta custos que o país incorre.

    O país pode se sair melhor se perseguimos uma agenda responsável. O país tem pressa; o país quer seriedade com a coisa pública; o país está cansado de ideias fora do lugar, palavras inconsequentes, ações erradas ou tardias. O Brasil exige respeito.

    VEJA QUEM ASSINA A CARTA
    A última contagem de assinaturas foi feita até As 16h30 deste domingo (21).

    Abidiel de Carvalho Aroeira Junior
    Adelar Fochezatto
    Adriana Rattes
    Affonso Celso Pastore
    Afonso Luz
    Ajax Reynaldo Bello Moreira
    Alessandro Sanches Pereira
    Alexandre Lowenkron
    Alexandre Maia
    Alexandre Mattos de Andrade
    Alexandre Rands
    Alexandre Schwartsman
    Álvaro de Souza
    Alvaro Piano Rocha
    Amanda de Albuquerque
    Amella Lorrane Ribeiro Lima
    Ana Beatriz Rebecchi Pereira
    Ana Cândida Costa
    Ana Carla Abrão
    Ana Carolina Medeiros Milanezi
    Ana Frischtak
    Ana Madureira de Pinho
    Ana Maria Barufi
    Ana Maria dos Santos Moreira
    Ana Novaes
    Ana Victoria Pelliccione
    André de Castro Silva
    André Luis Squarize Chagas
    André Magalhães
    André Perfeito
    André Portela
    Andrea Calabi
    Andréa Galiazzi
    Andrea Lucchesi
    Andreia de Lima Pereira
    Angela Magalhães Gomes
    Angela Moraes e Silva
    Angélica Maria de Queiroz
    Anna Olimpia de Moura Leite
    Antonio Kandir
    Antônio Márcio Buainain
    Aod Cunha
    Armínio Fraga
    Arthur Augusto Lula Mota
    Beatriz Diniz
    Ben Lian Deng
    Beny Parnes
    Bernard Appy
    Betina Pegorini
    Bráulio Borges
    Braz Camargo
    Bruno Boni de Oliveira
    Bruno Imaizumi
    Carla Casa Nova Xerfan
    Carla Jucá Amrein C. de Andrade
    Carlos Alberto Manso
    Carlos Ari Sundfeld
    Carlos Brunet Martins Filho
    Carlos Fausto
    Carlos Góes
    Carlos Mauricio
    Carmen M. Costa
    Carol Conway
    Carolina Grottera
    Caroline Sawyer
    Cassiana Fernandez
    Cássio Casseb
    Cecília Moraes e Silva
    Célia Marcondes Smith
    Celso de Campos Toledo Neto
    Cesar Hideki Yamamoto
    Christian Velloso Kuhn
    Christiano Penna
    Claudia Sussekind Bird
    Claudio Considera
    Cláudio Frischtak
    Claudio Marinho
    Claudio Ribeiro de Lucinda
    Cleveland Prates
    Comba Cascardo
    Cosmo De Donato Junior
    Cristian Andrei
    Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt
    Cristiano Canedo S. S. Albuquerque
    Daniel Cerqueira
    Daniel Consul de Antoni
    Daniel Fainguelernt
    Daniel Gleizer
    Daniel K Goldberg
    Daniel Leichsenring
    Daniela Considera
    Danielle Carusi Machado
    Danilo Camargo Igliori
    Davi Ricardo Lopes Alves
    David Gotlib
    Débora Freire
    Demósthenes Madureira de Pinho Neto
    Denis Mizne
    Denise Castro
    Dércio de Assis
    Diana Lúcia Gonzaga da Silva
    Diana Moreira
    Dimitri Szerman
    Domingos Brito da Silva
    Duilio de Avila Berni
    Ed Carlos Ferreira Nascimento da Costa
    Edmar Bacha
    Edmar Luiz Fagundes de Almeida
    Edmundo Valente
    Eduardo Amaral Haddad
    Eduardo Augusto Guimarães
    Eduardo Gulart Monteiro
    Eduardo Mazzilli de Vassimon
    Eduardo Pontual
    Eduardo Souza-Rodrigues
    Eduardo Weber
    Eduardo Wurzmann
    Eduardo Zilberman
    Eduardo Zylberstajn
    Elane Niskier Goldkorn
    Elbia Gannoum
    Eleazar de Carvalho
    Elena Landau
    Elena welper
    Elizelma Monteiro
    Eloá Sales Davanzo
    Emerson Kapaz
    Erica Iootty
    Erick Lima
    Eurico Marques de Oliveira Júnior
    Evandro José Neumann
    Fabiana Rocha
    Fábio Barbosa
    Fábio Esperança
    Fabio Giambiagi
    Fabio Guedes Gomes
    Fábio Moraes
    Fábio Romão
    Fabio Szwarcwald
    Fábio Terra
    Fábio Xavier da Silveira Rosa
    Felipe de Mendonça Lopes
    Felipe Falcão Nobre
    Felipe Imperiano
    Felipe Salto
    Fernanda Marques
    Fernanda Medeiros
    Fernanda Polonia Rios
    Fernando Genta
    Fernando Penteado
    Fernando Postali
    Fernando Reinach
    Fernando Veloso
    Fersen Lambranho
    Filipe de luca
    Flávia Seligman
    Flávio Ataliba
    Flavio Bulcão
    Francielly Cordeiro Freire da Rocha
    Francisco Cavalcanti
    Francisco Cunha
    Francisco Machado
    Francisco Pessoa Faria
    Francisco Ramos
    Francisco Soares de Lima
    Franklin Gonçalves
    Frederico Silva
    Gabriel Bravim Furlan
    Gabriel Ferreira Cavalcante
    Gabriel Lucindo
    Gabriel Rassi
    Gabriella Seiler
    Genaro Lins
    Geraldo Carbone
    Germano Treiger
    Gian Paulo Soave
    Gilberto Henrique Moraes
    Giovanna Ribeiro
    Giuliano Guandalini
    Graça Seligman
    Guilherme Irffi
    Guilherme Macalossi
    Guilherme Magacho
    Guilherme Micota Stipp
    Guilherme Tinoco
    Guilherme Valle Moura
    Guillherme Setubal souza e Silva
    Gustavo Gonzaga
    Gustavo Loyola
    Gustavo Madi Rezende
    Hailron de Andrade Torquato
    Helcio Tokeshi
    Helena Arruda Freire
    Hélio Henkin
    Henrique Duarte Miareli
    Henrique Félix
    Henrique Luz
    Henrique Vicente
    Hilda Azevedo Vieira
    Horácio Lafer Piva
    Humberto Baranek
    Humberto Moreira
    Hussein Kalout
    Igor Rocha
    Ilan Goldfajn
    Ilan Gorin
    Ilona Szabó de Carvalho
    Isac Berman
    Isacson Casiuch
    Ítalo Moisés
    Izabel Portela
    Jacob B. Goldemberg
    Jacques El kobbi
    Jaime Macedo
    Jaqueline Marques
    Jéssica de Araújo Silva Caieiro
    Jessica Gagete-Miranda
    Joana acosta
    Joana C.M. Monteiro
    Joana Naritomi
    João Antunes Ramos
    João Carlos Figueiredo
    João Carlos Nicolini de Morais
    João Carlos Rios
    João Cesar Tourinho
    João Gabriel Caetano Leite
    João Henrique Duarte
    João Mário de França
    João Moreira Salles
    João Pedro Souza Rocha
    João Prates Romero
    João Villaverde
    Jorge Peregrino
    José Antônio Ferreira da Cunha
    José Artur Lima Gonçalves
    José Augusto Fernandes
    José Augusto Zatti Filho
    José Benedito Bortoto
    José Cesar Martins
    José Guilherme Oliveira
    José Luiz Chabassus Maia
    José Monforte
    José Olympio Pereira
    José Roberto Mendonça de Barros
    José Rubens
    José Taragona
    José Tavares de Araujo
    Josef Benhaim
    Josué Alfredo Pellegrini
    Juan Sousa Perroni
    Júlia Fontes
    Julia Neves da Silva Santos Pretti Espindula
    Juliana Camargo
    Juliano Assunção
    Julio Cesar da Silva
    Karina Bugarin
    Keila carneiro dos Santos
    Kleber F Pasin
    Kleyton Vieira Sales da Costa
    Laísa Rachter
    Laudinei Amorim
    Laura Carvalho
    Laura de Carvalho Schiavon
    Laura Karpuska
    Laura Souza
    Leandro Guariglia Ferreira
    Leandro Machado
    Leandro Padulla
    Leandro Piquet Carneiro
    Leane Naidin
    Leany Barreiro Lemos
    Leila Frischtak
    Leila Maria Gil Neves
    Leonardo Beni Tkacz
    Leonardo Coviello Regazzini
    Leonardo de Carvalho Prozczinski
    Leonardo Monteiro Monasterio
    Leonardo Rezende
    Leyanie Neves
    Licinio Velasco
    Loide Bedran
    Lucas Argentieri Mariani
    Lucas de Souza Sartori
    Lucas de Toro Rodrigues
    Lucas M. Novaes
    Lucia Hauptmann
    Lucia Souza
    Luciana da Silva Marques
    Luciano Losekann
    Luciene Pereira
    Lucila Lacreta
    Luis Eugenio Portela Fernandes de Souza
    Luís Meloni
    Luís Stuhlberger
    Luis Terepins
    Luiz Carlos Lyra
    Luiz Carlos Prado
    Luiz Fernando Guedes Pereira Filho
    Luíz Godinho
    Luiz Guilherme Scorzafave
    Luiz Octavio vilela de Andrade
    Luiz Otavio Teixeira Mendes
    Luiz Parreiras
    Luiz Wrobel
    Luiza Niemeyer
    Maílson da Nóbrega
    Manoel Pires
    Manuel Thedim
    Marcela Carvalho Ferreira de Mello
    Marcelo André Steuer
    Marcelo Barbará
    Marcelo Cunha Medeiros
    Marcelo Davi Santos
    Marcelo de Paiva Abreu
    Marcelo F. L. Castro
    Marcelo Fernandes
    Marcelo Justus
    Marcelo Kfoury
    Marcelo Leite de Moura e Silva
    Marcelo Pereira Lopes de Medeiros
    Marcelo Trindade
    Marcia Lahtermaher
    Marcílio Marques Moreira
    Márcio Coimbra
    Márcio Fortes
    Márcio Garcia
    Márcio Holland
    Márcio Issao Nakane
    Marcio Mello de Aguiar
    Marco Bonomo
    Marco Vinicius Cuchiaro
    Marcos Camizao
    Marcos Freire
    Marcos Lederman
    Marcos Roberto Furlan
    Marcos Ross Fernandes
    Marcos Wendde Cruz Carneiro
    Maria Alice Moz-Christofoletti
    Maria Cristina Mello
    Maria Cristina Pinotti
    Maria Dolores Montoya Diaz
    Maria Gabriela Mazoni do Nascimento
    Maria Tereza Sarmento Ferreira
    Mariana Coates Furquim Werneck
    Marina Rios
    Mário Ramos Ribeiro
    Marisa Moreira Salles
    Matheus Pessôa
    Maurício Canêdo Pinheiro
    Mauro Rodrigues
    Mauro Salvo
    Michael Burt
    Miguel Fausto
    Miguel Nathan Foguel
    Milton Seligman
    Miriã Botelho
    Miriam Seligman
    Moacir Salztein
    Monica Baumgarten de Bolle
    Mônica Viegas Andrade
    Naercio Menezes Filho
    Natália Nunes Ferreira-Batista
    Natalie Victal
    Neide Eisele
    Nélia Carvalho Rios
    Nelson Barros
    Nelson Eizirik
    Nícia Comerlatti
    Nilson Teixeira
    Norbert Glatt
    Octavio de Barros
    Odilon Camargo
    Otaviano Canuto
    Patrícia Franco Ravaioli
    Paula Carvalho Pereda
    Paula Magalhães
    Paulo Dalla Nora Macedo
    Paulo Guilherme Correa
    Paulo Hartung
    Paulo Henrique de Oliveira
    Paulo Hermanny
    Paulo Leal Lanari Filho
    Paulo Maurício Roncisvalle
    Paulo Ribeiro
    Paulo Tafner
    Pedro Bodin de Moraes
    Pedro Bulcão
    Pedro Cavalcanti Ferreira
    Pedro Dittrich
    Pedro Henrique Salerno
    Pedro Henrique Thibes Forquesato
    Pedro Ivo Marciliano Pires
    Pedro Malan
    Pedro Menezes
    Pedro Moreira Salles
    Pedro Parente
    Pedro Passos
    Pedro Vasconcelos Maia do Amaral
    Persio Arida
    Priscilla Albuquerque Tavares
    Rafael Ahvener
    Rafael B. Barbosa
    Rafael Dix-Carneiro
    Rafaela Vitória
    Raphael Bruce
    Raphael Rocha Gouvea
    Raquel Teixeira
    Regina Lucia Burtet
    Regina Madalozzo
    Reinaldo Pinheiro
    Rejane Knijnik
    Renan Chicarelli Marques
    Renan Seligman
    Renata Kotscho
    Renato Ferreira
    Renato Fragelli
    Renê Garcia Jr.
    Ricardo Augusto Gallo
    Ricardo Cyrino
    Ricardo de Abreu Madeira
    Ricardo Gandour
    Ricardo Gorodovits
    Ricardo Lisboa Pegorini
    Ricardo Markwald
    Rita Leite Pereira
    Róber Iturriet Avila
    Roberta Tenenbaum
    Roberto Adler
    Roberto Bielawski
    Roberto Freire
    Roberto Iglesias
    Roberto Moritz
    Roberto Olinto
    Roberto Setubal
    Robson carvalho
    Robson Luiz Silva de Souza
    Rodger Barros Antunes Campos
    Rodrigo Bleyer Bazzo
    Rodrigo Lanna Franco da Silveira
    Rodrigo Menon S. Moita
    Rodrigo Nishida
    Rodrigo pontes
    Rodrigo R Azevedo
    Roger Patrick dos Santos
    Rogério Furquim Werneck
    Ronaldo Marcelo
    Rosana Seligman
    Rosangela Bolze
    Rosangela Niskier Casiuch
    Rosiane Pecora
    Rubens Ricupero
    Ruth Wrobel
    Ruy Ribeiro
    Sabino da Silva Porto Júnior
    Samira Schatzmann
    Samuel Pessoa
    Sandra britto Brandão
    Sandra Ghilardi
    Sandra M. M. Silva
    Sandra Regina Pesqueira Berti
    Sandra Rios
    Sarita Kulysz
    Sergio Akkerman
    Sergio Becker
    Sérgio Besserman Vianna
    Sergio Fausto
    Sergio Fonseca
    Sérgio Guerra
    Sergio Krakauer
    Sergio landau
    Sergio Margulis
    Sergio Rezende
    Silvia Barbará
    Silvia Franco
    Silvia Matos
    Solange David
    Solange Srour
    Sônia Maria Alves da Silva
    Stephanie Kestelman
    Synthia Santana
    Tamir Fattori
    Tauries Sakai Nakazawa
    Thais Prandini
    Thiago Moreira Rodrigues
    Thomas Conti
    Thomas Hoegg Adamski
    Thomas Kang
    Tiago Cavalcanti
    Tiago Grassano Lattari
    Tomás Branski Reydon
    Tomás Neves Henrique Silva
    Tomás Urani
    Tuanne Ferreira Dias
    Vagner Ardeo
    Verônica Lazarini Cardoso
    Victor Alexandre de Paula Lopes
    Victor Genofre Vallada
    Vilma da Conceição Pinto
    Vinicius Carrasco
    Vinícius de Oliveira Botelho
    Vinicius Nascimento de Azevedo
    Vinícius Peçanha
    Vitor Monteiro
    Vitor Natã Gil
    Vitor Pereira
    Vitor Pestana Ostrensky
    Walter Novaes
    Wilfredo Leiva Maldonado