Bolsonaro atira em Dória, o ex-amigo. Já chutou tantos outros. Ele vai aguentar?

    O presidente só conta hoje com a parte do Centrão que o deixa refém a peso de ouro

     

    Foto: Marcos Corrêa/PR
    Foto: Marcos Corrêa/PR

     

    De Bolsonaro, criticando João Doria (PSDB), governador de São Paulo, pelas restrições impostas na guerra contra a Covid:

    – Então parece que esses caras querem, como esse patife de São Paulo quer, é quebrar o Estado, quebrar o Brasil para depois apontar um responsável. É coisa de patife. Que é esse cara que está em São Paulo que usou meu nome para se eleger.

    Na quarta passada, Bolsonaro também tinha chamado Doria de ‘vagabundo’ pelos mesmos motivos. Doria respondeu dizendo que iria vacinar Bolsonaro com a vacina antirrábica. ‘O Butantan é bom nisso’. Anteontem, bateu na mesma tecla:

    – A primeira dose não surtiu efeito. Vou dar outra.

    Ex-amigos

    Fica claro que o nível baixou de vez. Não é mais coisa de adversários, mas de inimigos viscerais, que, por acaso, estavam juntos abraçados no mesmo palanque em 2018, agora evocado por Bolsonaro dizendo que ele “usou o mesmo nome para se eleger”.

    Outro grande aliado de 2018, Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, caiu em desgraça. Governador afastado há mais de um ano atolado em denúncias de corrupção. Diz ele que o seu grande erro foi ter dito que iria disputar a Presidência.

    Bolsonaro também detonou Sérgio Moro. Não deixou ninguém fazer sombra. Há um vasto leque de ex-amigos menores também chutados.

    Bolsonaro só conta hoje com a parte do Centrão que o deixa refém a peso de ouro. Será que ele vai aguentar?