Greve dos professores não afetaria retorno das aulas em escolas particulares, diz sindicato

    "Rede privada é uma coisa mais complexa", diz Jorge Tadeu

    Foto: Secom/PMS

    Com o anúncio oficial da prefeitura de Salvador de que o retorno das aulas da rede municipal, no formato semipresencial, será a partir do dia 3 de maio, o presidente do Sindicato das Escolas Particulares da capital baiana, Jorge Tadeu, comentou sobre uma possível greve especulada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) e se isso afetaria o retorno das escolas particulares.

    “Eu acho que se eles continuarem intransigentes, a prefeitura pode ceder a eles e não abrir as escolas públicas enquanto não avançam nas tratativas. Ou deve endurecer, com alguma penalidade, com os instrumentos que a prefeitura teria. Acredito que agora é uma queda de braços entre eles, mas não nos afetaria”, explicou Tadeu em entrevista ao bahia.ba.

    “Nós temos conversado muito com o sindicato dos professores da rede particular desde dezembro e já chegamos a um entendimento de que a rede particular é uma coisa mais complexa, porque o financiamento da rede são as mensalidades. Não dá para ficar sem receber as mensalidades senão não tem como pagar os professores”, acrescentou.

    Tadeu comemorou a decisão que determinou a volta dos alunos às escolas e afirmou que as instituições estão preparadas para o retorno “desde julho de 2020”. “Nós estamos nos preparando para esse retorno desde julho do ano passado, quando a pandemia tinha pouco tempo e já se falava de preparação das escolas. O que faremos agora é dar uma atualizada nos protocolos, arrumação das escolas para esse retorno. O grande desafio vai ser mais o emocional do que o cognitivo”.

    Em nota enviada à imprensa, o prefeito Bruno Reis informou que se as aulas não forem retomadas em maio, haverá impacto no calendário de 2022. “Precisamos sair dessa inércia e dar um passo além. Os professores que estão fazendo trabalho remoto sabem que, na prática, o aprendizado não é o mesmo”, afirmou.

    O prefeito revelou que 12 reivindicações direcionadas pela APLB para a volta do segmento presencial foram ouvidas pela gestão. “Apenas uma, que não depende de mim, não pôde ser atendida”, afirmou ele, relatando que pedido da entidade era referente ao prazo de imunização completa de todos os trabalhadores da educação.

    Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação do Estado (SEC) informou em nota que “as atividades semipresenciais poderão ocorrer conforme prevê o decreto do Governo da Bahia, de 18 de abril, em municípios que alcancem os patamares estabelecidos, seguindo os protocolos de biossegurança e de acordo com a decisão das gestões municipais”. 

    Sobre a cobrança de imunização feita pelos sindicato dos professores, a pasta disse que “está em andamento o processo de vacinação dos professores e de todos os profissionais da Educação, conforme cronograma por idade já definido”.