Lutarei contra essa injustiça até o fim, diz Gabrielli sobre acusações do TCU

    Ex-presidente da Petrobras figura na lista de condenados no processo de aquisição da refinaria Pasedena, em 2006

    Foto: Divulgação/Seplan

    O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, foi um dos homenageados no ato realizado pelo PT de Salvador na  sexta-feira (23). O encontro virtual, que reuniu parlamentares, lideranças sindicais e partidárias e militância, também declarou apoio ao líder sindicalista e coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar. A iniciativa foi uma resposta do partido diante das acusações no caso Pasadena e o que os petistas classificam como perseguição ao movimento sindical petroleiro que luta contra a privatização da Refinaria Landulfo Alves (RLAM).

    Para o PT, tanto a inclusão de José Sérgio Gabrielli na lista de condenados no processo de aquisição da refinaria Pasedena, em 2006, no Texas, Estados Unidos, pelo TCU, como o que ele chama de “intimidação” aos trabalhadores/as da RLAM, perseguindo, segundo ele, o líder sindical Deyvid Bacelar, por denunciarem as irregularidades da venda da refinaria em São Francisco do Conde, fazem parte das ações do governo Bolsonaro para estabelecer o seu calendário de privatizações no Brasil, especialmente do sistema Petrobras.

    Sobre a sua condenação pelo Tribunal de Contas da União, Sérgio Gabrielli diz que a decisão do TCU foi “muito injusta”. “Eles alegam duas questões: a primeira é de um suporto superfaturamento na compra, mas o preço pago pela refinaria foi abaixo do preço de mercado; e a segunda é de que houve prejuízos com a aquisição baseado em um cálculo feito por uma consultoria, após cinco anos de disputa judicial, com suposições de comportamento de mercado. Portanto, não há fatos concretos para a minha condenação. O que há é uma ação política que quer me condenar de qualquer maneira e manter as acusações contra o PT. Lutarei contra essa injustiça até o fim”, declarou Gabrielli.

    O TCU já havia excluído o nome de Gabrielli da lista de investigados, mas na última semana voltou atrás e o responsabilizou por supostas irregularidades aplicando uma multa de U$S 453 milhões ao ex-presidente da estatal. De acordo com o ex-presidente da Petrobrás, a compra da Pasadena fazia parte de uma estratégia de negócios adotada pela estatal ainda nos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “O Brasil estava crescendo na produção de petróleo, mas precisava aumentar a produção de derivados. Portanto, a compra da Pasadena foi uma tática comercial pensada antes dos governos de Lula e Dilma e nós consolidamos”, disse Gabrielli.

    Já no caso da privatização da RLAM, o movimento sindical petroleiro afirma estar reagindo e denunciando as irregularidades da venda, o que, avalia, resultou em perseguição aos trabalhadores/as. A atitude da direção da refinaria é considerada pelo PT como antissindical e antidemocrática e tem como objetivo desmobilizar a luta contra a privatização da estatal.

    Para os sindicalistas, a venda da refinaria faz parte dessa grande engrenagem para consolidar um processo de privatização de uma das maiores estatais do Brasil. A RLAM é a primeira de um total de oito refinarias colocadas à venda pela Petrobras. Foi comercializada por 50% abaixo do seu valor real, cerca de R$ 8,87 bilhões a menos, totalizando US$ 1,65 bilhão pagos pelo fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes.