Teremos uma vacinação muito sofrida, diz Prates ao criticar cronograma do Ministério da Saúde

    Diante de sucessivos atrasos, secretário de Saúde de Salvador estima que imunização de grupos prioritários só seja concluída em setembro

    Leo Prates, secretário de Saúde de Salvador (Foto: Matheus Morais/ bahia.ba)

    O secretário municipal de Saúde, Leo Prates, disse nesta quarta-feira (28) que Salvador certamente terá uma vacinação muito lenta diante dos sucessivos atrasos do governo federal no envio de imunizantes contra a Covid-19. Segundo o secretário, apesar do planejamento de governo e prefeitura para acelerar o processo, a vacinação dos grupos prioritários — cerca de 690 mil pessoas —, por exemplo, só deve ser concluída até o fim do ano, já que o Ministério da Saúde prevê entregar até setembro 250 mil doses de vacinas destinadas a esse público.

    “Uma vacinação que, em média, poderia durar seis meses vai aí durar o ano inteiro, na nossa expectativa, na melhor das hipóteses. Realmente vai ser uma vacinação muito lenta, muito sofrida pra todos nós”, declarou ele em entrevista à rádio Metrópole.

    Na avaliação de Prates, houve um equívoco do governo federal ao orientar que estados e município aplicassem todos os seus estoques. Inicialmente, a pasta enviava as vacinas com uma recomendação para que os gestores locais guardassem a segunda dose, mas desde março a pasta passou a sinalizar que todas as vacinas recebidas fossem aplicadas de imediato como primeira dose, com a promessa de envios posteriores para a segunda — o que tem sido prejudicado pelo atraso nos insumos.

    Agora, tendo novamente de lidar com a escassez de vacinas, desta vez a CoronaVac, a capital deve atrasar a aplicação da segunda dose em ao menos 31 mil pessoas, público que deveria ser vacinado no sábado (1º) e domingo (2). Na terça (27), o Ministério da Saúde prometeu que enviará na próxima semana as vacinas pendentes para concluir a imunização.

    “A gente tem a aplicação de CoronaVac garantida até sexta-feira. O problema é que o ministério está dizendo que só deve entregar o segundo lote de CoronaVac para a segunda dose. Mesmo se ele entregar para a primeira dose, primeiro eu vou dar prioridade e zerar esse estoque reprimido de segundas doses que devem ficar”, explicou o secretário.

    Ele afirma, por outro lado, que a segunda dose do imunizante da AstraZeneca/Oxford está garantida até 7 de maio.