Política de imunidade de rebanho apoiada por Bolsonaro levou Manaus ao colapso

    É o que aponta o vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho, que rompeu com Wilson Lima

    Primeiro embarque de pacientes com covid-19 do Amazonas que serão transferidos para outros estados. Foto: Divulgação/ Força Aérea Brasileira

    O alinhamento do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi o que levou Manaus ao colapso durante a pandemia de Covid-19 e transformou a cidade em um laboratório gerador da nova cepa do vírus.

    Isso é o que o vice-governador do estado, Carlos Almeida Filho (sem partido), que rompeu com Lima há um ano. De acordo com ele, seu ex-aliado levou ao estado a política de imunidade de rebanho, tese defendida pelo presidente da República, segundo a qual a contaminação generalizada evitaria medidas ruins para economia.

    “Quando houve envolvimento do governador na operação [da Polícia Federal], a estratégia foi mostrar alinhamento [com Bolsonaro]. Uma coisa era clara, a política era de afirmar que se tinha uma imunidade de rebanho. O que acabou acontecendo foi um laboratório, a P1 encontrou ambiente adequado”, disse à coluna Painel, da Folha.

    Almeida Filho afirma que a crise de oxigênio do início do ano foi de responsabilidade de Lima, que só acionou o governo federal quando o cenário já era de terra arrasada. O vice disse ainda que a empresa White Martins avisou com antecedência sobre o “estouro” no abastecimento do insumo para tratar pacientes.