Primeiro contato da Pfizer com o governo Bolsonaro foi em março de 2020, diz jornal

    E-mail foi enviado seis dias após a OMS decretar que o mundo estava vivendo uma pandemia

    Fotos: Igor Santos/Secom

    O primeiro contato feito pela farmacêutica Pfizer com o Brasil ocorreu em março do ano passado, quando o país começou a registrar os primeiros casos do novo coronavírus. Um e-mail enviado pelo CEO da Pfizer, Albert Bourla, à chefia de gabinete da Presidência da República, em 17 de março de 2020, mostra que a empresa já havia informado ao presidente Jair Bolsonaro sobre medidas para ajudar no combate à pandemia.

    De acordo com o jornal Folha de São Paulo, nesta sexta-feira (21), o e-mail foi entregue à CPI da Pandemia no Senado em caráter sigiloso. A comunicação foi realizada seis dias após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar que o mundo estava vivendo uma pandemia.

    No e-mail, Bourla informou diretamente a Bolsonaro que a farmacêutica já buscava soluções contra o vírus para ajudar o mundo durante “tempos sem precedentes”. Segundo ele no texto, documentos com os principais pontos de compromissos já adotados estavam anexados ao e-mail.

    Além do gabinete presidencial, o texto também foi encaminhado para a chefia de gabinete do Ministério da Saúde, o gabinete da secretaria-executiva da pasta e o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.

    “A Pfizer continua a manter suprimentos de medicamentos críticos hospitalares e está em busca de soluções médicas contra a Covid-19. Ela também anunciou um plano de cinco compromissos para avançar nesse processo”, disse um trecho do e-mail.

    Antes disso, a Folha também havia revelado que o governo federal ignorou os contatos da Pfizer por dez vezes em cerca de 30 dias (de 14 de agosto a 12 de setembro).