Justiça condena Funai a demarcar terra indígena no Sudoeste baiano

    Etapa deve ser concluída em 360 dias

    Foto: Mário Vilela /Funai

    Atendendo pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça determinou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) inicie o processo de demarcação de terra indígena do Cachimbo, comunidade Serra do Couro Dantas, situada no município de Ribeirão do Largo, no Sudoeste da Bahia.

    Com a sentença, a Funai é obrigada a dar continuidade ao procedimento que estava parado desde 2017. A primeira etapa da demarcação, com a publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), deve ser concluída em 360 dias. Logo após, a Funai terá 24 meses para concluir o processo de demarcação.

    Em novembro passado, o MPF já havia conseguido obter decisão liminar da Justiça Federal, para que a Fundação desse início imediato à primeira etapa do procedimento e concluísse os trabalhos, publicando o RCID em 180 dias. A primeira fase da demarcação é feita por meio do recebimento de documentos e informações preliminares, de cunho antropológico, etno-histórico, ambiental, sociológico, fundiário e cartográfico, que serão analisadas e utilizadas para a elaboração do relatório. Na sentença, a Justiça confirmou parcialmente o pedido de tutela de urgência requerida pelo MPFampliando o prazo de conclusão dessa etapa para 360 dias.

    Na ação inicial, o MPF destacou que a falta de definição legal sobre a posse do território estava gerando clima de tensão na comunidade, levando a um aumento considerável dos conflitos entre os diferentes povos indígenas que coabitam a região e dos conflitos fundiários entre índios e fazendeiros. 

    Para o órgão, a letargia e omissão da fundação em adotar as medidas legais, previstas pela Constituição e pela legislação, levaram a “concretizar e a escancarar incapacidade logística e operacional da Funai em solucionar o problema”, conforme ressaltou o procurador na açãoConforme a sentença, “revela-se completamente descabida e ilegal, a postura omissa da Funai que, por mais de 3 anos, limita-se a ficar inerte em um denominado estágio de qualificação”, ferindo os princípios da legalidade e da eficiência. Com a finalização da 1ª fase da demarcação em 360 dias, a Funai terá até 24 meses para concluir a demarcação das terras em questão.