‘Ministério paralelo’ realizou 24 reuniões, mostram documentos entregues à CPI da Covid

    Para grupo majoritário do colegiado, pessoas aconselhavam Bolsonaro fora da estrutura do Ministério da Saúde

    Foto: reprodução/redes sociais

    Pessoas apontadas como integrantes de um “ministério paralelo” da Saúde participaram de ao menos 24 reuniões para tratar de estratégias do governo no combate à pandemia. É o que apontam documentos da Casa Civil da Presidência da República entregues à CPI da Covid, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (28).

    Segundo senadores independentes e de oposição da CPI, o “ministério paralelo” seria um grupo de aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro fora da estrutura do Ministério da Saúde.

    De acordo com a publicação, o material remetido à CPI da Covid trata de informações solicitadas sobre todas as reuniões que tiveram como pauta o tema relacionado à pandemia da Covid-19 —Bolsonaro não esteve em seis delas, mas todas ocorreram no Palácio do Planalto ou no Alvorada (residência oficial da Presidência).

    Aparecem nessas reuniões, de acordo a Folha, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), o assessor especial da Presidência Tercio Arnaud, o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten e a médica Nise Yamaguchi.

    Conforme a reportagem, todos os participantes de reuniões relacionadas à pandemia do novo coronavírus, de acordo com os documentos enviados à comissão. Alguns são citados no mesmo evento ou em momentos distintos. Há reunião também com a presença de outro filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

    Os filhos do presidente estiveram em ao menos cinco reuniões, apurou o jornal. Três delas foram por videoconferência, para tratar do mesmo tema: “governadores e pedidos de apoio para enfrentamento da crise, as pautas são referentes a saúde, economia e outras áreas”.

    Em seu depoimento à CPI, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) disse desconhecer a estrutura paralela. A comissão mira em Carlos Bolsonaro para investigar o suposto grupo, assim como Arthur Weintraub, irmão do ex-ministro Abraham Weintraub (Educação).

    Os parlamentares dizem acreditar que o advogado pode ser um dos líderes do gabinete paralelo, após a revelação de vídeos em que afirmou que estava investigando a suposta eficácia da hidroxicloroquina a pedido de Bolsonaro.

    Osmar Terra também deve ser convocado. Ele é apontado como um dos conselheiros de Jair Bolsonaro que combateram o isolamento social, único instrumento que existia no ano passado, além do uso de máscaras, para frear a disseminação do novo coronavírus no Brasil.