Neto e Wagner no velho duelo da política: entre o novo e o velho

    A política é como a vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Com o detalhe: no caso aí o ciclo vital é bem menor

    Foto: Manu Dias/GOVBA
    Foto: Manu Dias/GOVBA

     

    No começo de dezembro passado, surfando nas vitórias em Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, ACM Neto soltou:

    — A tal nova política ficou velha cedo demais.

    Esta semana Jaques Wagner tocou o mesmo viés:

    — Ele (ACM Neto) representa uma coisa antiga, independentemente da idade.

    Moral da história: os dois estão certos. Neto herdou do avô a grife e muito do legado de quem mandou na Bahia por 32 anos consecutivos. Wagner, que em 2006 derrotou ACM, quando Paulo Souto, governador, perdeu a tentativa de reeleição, governou oito anos. Com os seis e meio de Rui Costa até aqui, também envelheceu.

    Santo e diabo

    O jogo político, na tradição brasileira, se configura nas disputas assim: quem é do meu lado é santo; quem é contra é o diabo; quem mudou de lá para cá é regenerado; e quem mudou de cá para lá é degenerado.

    É o caso típico agora. E também é claro que isso é muito mais falácia. A política é como a vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Com o detalhe: no caso aí o ciclo vital é bem menor.

    Quando Neto falou que “a nova política envelheceu”, obviamente estava numa circunstância favorável. Mas o velho Lula entrou em cena, e Bolsonaro, o novo que também envelheceu rápido, muito o ajuda, para o azar de ACM Neto, o herdeiro de uma política velha que busca meios de se encaixar até envelhecer de práticas e idade também.