Receber a Copa América no pico da 2ª onda é um golaço, mas contra

    E se o Brasil for campeão ainda vai ter festa

    Foto: Reprodução/TV Brasil
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    Se a pandemia instituiu a contramão de tudo que era alegria como regra, por que aceitar realizar uma competição internacional às carreiras, no caso, a Copa América, porque os anfitriões programados (Argentina e Colômbia), desistiram alegando os mesmos motivos?

    Veja você. Rui Costa proibiu de amanhã até segunda, o que inclui a sexta, feriado de Corpus Christi, a venda de bebidas alcoólicas (até por delivery). Compreensível. Os hospitais estão lotados, e o São João vem aí. Como tirar os leitos da Fonte Nova para abrigar dois ou três jogos?

    E como fica entrar em clima de festa se o conjunto paga em vidas e empregos os amargores da pandemia? A contramão do bom senso não é caso de ver pra crer, tá na cara, como diz o poeta Caetano Veloso em Mora na Filosofia.

    Controvérsias

    Mas mesmo assim o próprio Rui claudicou. Em princípio, aceitou. Foi criticado e recuou, evocando o exemplo da Fonte Nova. O senador Otto Alencar (PSD), ardoroso defensor da ciência, desde logo proclamou: ‘Estão brincando com a saúde do povo’. Já Angelo Coronel (PSD), amigo e colega dele no Senado, relevou: ‘Não fazem o Campeonato Brasileiro? Por que não a Copa América?’

    Ainda que tudo corra bem, o assunto já está politizado. É a cereja do bolo, um golaço (contra) do negacionismo do presidente Bolsonaro. E se o Brasil for campeão ainda vai ter festa.