As poéticas do sertão do São Francisco e o povo ribeirinho estão presentes nos trabalhos cênicos do Coletivo Trippé, que reúne artistas que pesquisam a dança e seu diálogo com outras linguagens. A partir desses estudos, nesta quinta (8), o grupo estreia um novo trabalho, o filme Uma Janela Interior. A transmissão começa às 20h30, no Youtube.
O curta-metragem experimental é desdobramento do espetáculo Janelas Para Navegar Mundos. A criação de 2017, que já recebeu diversos prêmios, agora se adapta ao audiovisual, sendo revisitada pelos criadores nesse período sem público por conta da pandemia. Esse desafio de recriar uma obra será tema da mesa-redonda realizada logo após a exibição do filme, com a participação dos bailarinos e equipe técnica.
Para a bailarina Rafaedna Brito, se adaptar à relação com a câmera, de início foi estranho. “Adaptar os espetáculos para vídeo era algo que nunca pensei em testar, mas tive que ir me acostumando e depois percebi como isso foi importante pro período da pandemia”, disse.
O projeto foi possível a partir da aprovação no edital dos Prêmios de Preservação dos Bens Culturais Populares e Identitários da Bahia Emília Biancardi. Para garantir a acessibilidade da obra, o coletivo investe em recursos como a tradução para Libras, Linguagem Brasileira de Sinais.
“Sempre tentamos garantir essas ferramentas de acessibilidade, por entender que é nosso dever permitir que os diversos públicos acessem esses trabalhos, principalmente quando se há recursos públicos. Esse filme tem a Libras e já preparamos uma versão com audiodescrição para exibir em breve”, pontua Nilzete Miranda, produtora da obra.
A direção e o roteiro são assinados por Adriano Alves. Fernando Pereira foi o diretor de fotografia e também cinegrafista junto com o artista Jota. O elenco é composto pelos bailarinos Wagner Damasceno, Regiane Nascimento, Rafaedna Brito, Mary Ane Nascimento, Julia Gondim e Adriano Alves. A trilha sonora é original com músicas de Eugênio Cruz. A intérprete de Libras é Rejane Silva e a Acessu Comunicação fez a audiodescrição. A produção foi de Nilzete Miranda da Pipa Produções e a montagem e finalização da Abajur Soluções Audiovisuais.
O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e do Centro de Culturas Populares e Identitárias – CCPI (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

10 ANOS TRIPPÉ – O Coletivo Trippé comemora em 2021 os seus 10 anos de trabalho contínuo com artes no Sertão do São Francisco, realizando diversas atividades que celebram esse marco histórico, como o lançamento dessa coleção, publicação inédita para a trajetória do grupo, e também produzindo outros materiais com memórias dessa década. No canal do Youtube, além de assistir a Live-debate, é possível assistir documentários, videodanças e escutar o podcast ‘Vozes Coletivas’, lançado em janeiro, que traz falas de vários integrantes sobre os processos criativos e bastidores do coletivo.

