Audiência vai discutir remoção de famílias da Zeis do Tororó

    Debate será nesta quarta-feira (14), às 9h, com transmissão ao vivo pela TV Câmara

    Foto: Divulgação

    Cerca de 40 famílias moradoras do Tororó têm suas casas como alvo de ações de reintegração de posse pela Prefeitura de Salvador. Para discutir a questão, a Câmara Municipal de Salvador realiza nesta quarta-feira (14), às 9h, a audiência pública “Centro Antigo: Zeis do Tororó em disputa – Moradia X Shopping Center”.

    O debate é organizado conjuntamente pela Ouvidoria da Câmara e pelas comissões de Cultura; de Transporte, Trânsito e Serviços Municipais; de Direito à Cidade; e de Direitos Humanos e em Defesa da Democracia Makota Valdina. A audiência será transmitida ao vivo pela TV e Rádio Câmara Salvador (canal aberto 12.3, 105.3 FM e www.facebook.com/tveradiocam).

    A vereadora Maria Marighella (PT) explica que a Prefeitura pretende repassar a área para uso do Consórcio Nova Lapa e construção de um centro de compras no local. Para Marighella, demarcado como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) no Plano Diretor do Município de Salvador, o Tororó deveria ser destinado à regularização fundiária e à habitação segura para população de baixa renda, objetivando a permanência da população no território e a melhoria das condições de vida.

    “A despeito disso, o acordo da Prefeitura com o Consórcio Nova Lapa, administrador da Estação da Lapa desde 2015, previu o avanço sobre a região, onde famílias residem há mais de 15 anos, mantendo ali as suas histórias de vida, vínculos sociais e fontes de renda. São trabalhadores informais, que têm pequenos comércios ou trabalham como ambulantes no entorno. A permanência em área central é fundamental para a sobrevivência dessas pessoas”, argumenta.

    A vereadora diz que, durante todo este tempo, a Associação Comunidade Monsenhor Rubens Mesquita protagonizou “um potente movimento de resistência”, que reivindica o direito primordial à moradia e à defesa de seu território. “Porém, no último mês, a retirada da comunidade foi iniciada com acerto de indenizações e casas vêm sendo derrubadas em plena pandemia, num momento de intensa insegurança social e na vigência do ‘despejo zero’ determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cercando aqueles que resistem à saída”, diz a vereadora.