Fundão de R$ 4 bilhões, uma história de melancólico final

    O epílogo do caso já é conhecido: a gente morre no fim. É dinheiro nosso

    Imagem: O Globo/reprodução
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    Ano passado, 19.342 pessoas se candidataram a prefeito nos 5.560 municípios brasileiros, e 517.802 disputaram mandatos de vereador. Foi a estreia do Fundo Eleitoral, com R$ 1,7 bilhão. Se repartido equitativamente, daria pouco mais de R$ 3,16 para cada.

    Óbvio que as eleições federais e estaduais têm bem menos candidatos. Em 2018 foram 14 candidatos a presidente, 202 a governador, 357 a senador, 8.588 a deputado federal e 18.922 a estadual. Total de 28.083 candidatos.

    Se rateados os R$ 4 bilhões que Bolsonaro está prometendo aprovar, a coisa muda radicalmente: dá R$ 142,4 mil para cada.

    Final previsto

    Claro que a partilha equitativa é hipotética. Em 2018, partidos direcionaram mais ou menos recursos conforme a quem interessava. Se o Fundão for aprovador como diz Bolsonaro, os R$ 4 bilhões, é evidente que os partidos, com todos os seus defeitos, estarão empoderados.

    Diz-se que em eleição federal os universos são mais abrangentes, daí a necessidade de mais dinheiro. Mas sem as coligações, os deputados com mandato estarão bem mais fortes que a concorrência.

    E é aí que está o xis da questão: Bolsonaro ameaçou vetar o Fundão, inicialmente proposto em R$ 5,7 bilhões, e perguntamos se ele ia aguentar. Não aguentou. Promete um abatimento, baixando para R$ 4 bilhões.

    O epílogo do caso já é conhecido: a gente morre no fim. É dinheiro nosso.