Maioria dos bolsonaristas não apoia intervenção militar, aponta pesquisa

    No entanto, muitos afirmaram ter uma visão benigna da ditadura de 1964

    Foto: Alan Santos/Ascom, PR

    Uma pesquisa qualitativa “Bolsonarismo no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (Iree), e publicada pela Folha de S. Paulo, apontou que a maioria dos bolsonaristas não defendem a intervenção militar no Brasil.

    Embora muitos afirmaram ter uma visão benigna da ditadura de 1964, poucos defenderam um novo golpe militar. “Os bolsonaristas não apoiam, de forma majoritária, a intervenção militar, apesar de terem simpatia pelos militares e uma visão benigna do que foi a ditadura no país”, diz João Feres, coordenador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj.

    A pesquisa ouviu eleitores fiéis e ex-apoiadores do atual Governo Federal no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia, Curitiba, Belém e no Recife, entre os dias 15 e 30 de maio deste ano.

    Por outro lado, a maior parte dos eleitores de Bolsonaro mantém uma visão bastante positiva dos militares, “como pessoas de valores firmes, disciplinadas e obedientes à hierarquia, fator que muitos enxergam como extremamente positivo em um país em que tudo vira ‘bagunça’. A ideia de que os militares são menos corruptos quando comparados aos políticos também emerge nas narrativas dos participantes”, afirma o estudo.

    Já nos grupos de eleitores arrependidos do voto em Bolsonaro em 2018, foram feitas críticas à falta de experiência e treinamento dos militares para exercer alguns cargos técnicos no governo, como no Ministério de Saúde, e menções ao desempenho do general Eduardo Pazuello à frente da pasta.