
Era pré-ponte. É assim que Marcus Vinicius, prefeito de Vera Cruz, município que detém a maior parte da Ilha de Itaparica, define o momento por lá. Ele firmou parceria com o Senai-Cimatec, e iniciou quinta última a preparação da primeira leva de 800 profissionais em 11 especialidades para trabalhar na obra da ponte Salvador-Itaparica.
— Vou gastar alguns milhões, mas tem que ser. A ponte vai significar uma virada histórica. E nessa fase pré-ponte, o primeiro passo é qualificar nosso pessoal, inclusive para trabalhar na ponte.
O mix de cursos inclui pedreiro polivalente, armador de ferragens, carpinteiro e até empacotador e caixa de supermercado, já que o Atakarejo está chegando lá, e só aí vai abrir 400 vagas. E a ponte abre mais seis mil.
UTI
Marcos Vinicius, um jovem prefeito de 39 anos, que ano passado logrou a mais expressiva votação entre os reeleitos (86,29% contra quatro adversários), diz que a ilha precisa também, e já, de uma UTI, saneamento básico e mais água (que vem de Pedra do Cavalo) e também transformar a companhia da PM que atende lá, Itaparica e mais Salinas, num Batalhão.
Se alguém duvida de que a ponte vai, já está indo. E levada muito a sério. A pandemia, o último contratempo, está passando. Marcus diz que em 2024, quando passar o bastão para o sucessor, vai deixar Vera Cruz toda planejada para encarar a era da ponte. Ele trabalha em parceria com o prefeito de Itaparica, José Elias, o Zezinho (PTB).
Odebrecht, a previsão
O engenheiro Norberto Odebrecht, fundador da Construtora Odebrecht, estava presente ao Centro de Convenções da Bahia (o que desabou) na solenidade em que Jaques Wagner, então governador, passou a Lula, então presidente, o que seria o projeto da ponte. Perguntamos a ele: o senhor acha que agora a ponte vai?
— Se depender da iniciativa privada botar dinheiro para explorar, não. Mas governo é governo. Quando quer mesmo, vai e faz.
Que pena Norberto, falecido em julho de 2014, com 94 anos, não esteja aqui para ver o final desse capítulo da história. A ponte vem fruto de uma PPP, Parceria Público-Privada, feita com os chineses, o que no frigir dos ovos deu algo meio lá, meio cá. Mas ficou o ‘governo é governo.’

