A paixão pela língua portuguesa foi uma forma que o grupo de teatro Lusotaque encontrou para seguir produzindo, mesmo com todas as adversidades de 2020/21. Formado por elenco de diversos países, o grupo desde 2020, devido à pandemia de Covid-19, tem trabalhado de forma online. Em outubro, parte para um novo projeto, dentro ainda da ideia de desafiar a linguagem e questionar as barreiras de temas urgentes que estão acontecendo pelo mundo – especialmente no Brasil.
A peça Pindorama nasce da necessidade de ir além, de mostrar a fundo a cultura dos povos originários do Brasil. A obra traça paralelos interessantes e desafiadores como a discussão sobre decolonialismo, lugar de fala, demarcação de terras indígenas, e como todos esses temas foram incorporados ao espetáculo através de cenas apresentadas ao vivo.
Dentro do projeto, a distância causada pela pandemia permitiu que a ideia de um grupo multicultural fosse ainda mais possível. O grupo conta com atores de diversas origens (brasileiros, alemães, cubanos), e que moram em vários países, como Brasil, Portugal, França, Alemanha e Inglaterra.
Além de contarem também com a colaboração fundamental de pessoas dos povos originários que contribuíram para o espetáculo com a trilha sonora, áudios, vídeos, traduções do texto para o tupi guarani, além de uma importante consultoria relacionada à temas decoloniais.
O evento será realizado de 6 a 10 de outubro, às 19hs (Alemanha) e 14hs (Brasil). A contribuição consciente será destinada a organizações indígenas. É necessário fazer a inscrição previamente
Metodologia – Ao longo de seis meses, o grupo realizou uma série de estudos sobre diversos eixos temáticos relacionados à cultura dos povos originários. A partir desse material, dedicou-se coletivamente a produzir o texto, que apresenta uma visão muito rica sobre o tema da cultura dos povos originários, sob a perspectiva de não-indígenas que não se sentem representados pelo invasor, pela história oficial que aprendemos na escola.
“Esse é, provavelmente, o momento mais importante para falarmos sobre a cultura dos povos originários do Brasil. Estamos vivendo a intensificação do genocídio dos povos, das aldeias, das culturas originárias do Brasil. Esses ataques pretendem também tirar o bem maior desses povos, que é a sua terra, sua sobrevivência. Achamos importante apoiar a luta dos povos pela demarcação de suas terras, pois entendemos que esse é um direito histórico que afeta não apenas indígenas e não-indígenas, como também todo o planeta”, explica a diretora do espetáculo, Alexandra Marinho de Oliveira.
Sobre o Teatro Lusotaque
Teatro Lusotaque, grupo teatral de língua portuguesa, foi fundado em maio de 2006 na Universidade de Colônia, na Alemanha, por iniciativa de Beatriz Medeiros, Leitora do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) e professora do Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colônia. O grupo promove o estudo da língua e literatura portuguesa através do teatro.
No início, o grupo era composto por variados membros, em sua maioria alunos dos cursos de Estudos Regionais da América Latina e Letras Português da Universidade de Colônia (dentre nativos e estrangeiros) – complementado por atores profissionais do Brasil e de Portugal. Hoje o grupo recebe cada vez mais pessoas das mais diversas áreas disciplinares e origens geográficas.
De 2010 a 2016, o grupo foi liderado principalmente por Fabian Aquilino, seguido por Marianna Souza, que dirigiu o grupo até 2019. Em 2020, Alexandra Marinho assumiu a direção do Teatro Lusotaque.
No final de 2020 o grupo apresentou uma peça online sobre o Tropicalismo que chegou a alcançar mais de 800 espectadores nos sete continentes.

