Família de médico assassinado pede que polícia retifique informações prestadas sobre o caso

    'Nos surpreende o fato de a assessoria de comunicação da Polícia Civil, de forma precipitada e temerária, divulgar uma nota pública que o caso foi elucidado'

    Foto: Reprodução, mídidas sociais

    A família do médico pediatra Júlio César de Queiroz, assassinado em uma clínica particular enquanto prestava atendimento, no município de Barra, emitiu uma nota de esclarecimento a respeito de informações divulgadas pela Polícia Civil de que havia “elucidado”, em quatro dias, os motivos que levaram ao homicídio.

    Apesar de agradecer a ‘toda a corporação envolvida no caso’, os familiares questionaram o termo usado pela assessoria de comunicação da Polícia Civil e cobraram retificação da informação. Segundo os parentes, houve “precipitação.”

    “Nos surpreende e preocupa o fato de a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil, de forma precipitada e temerária, divulgar uma nota pública oficial afirmando categoricamente em seu título que o caso foi elucidado. Elucidar significa esclarecer, decifrar, explicar de forma a não restar mais dúvidas a respeito do ocorrido. E sabemos que este caso ainda não foi elucidado inclusive pelo fato de que, na mesma nota, a Ascom da Polícia Civil reitera textualmente que as equipes continuam realizando diligências para localizar e prender o mandante do crime”, diz a nota dos familiares.

    Veja, na íntegra, a nota pública emitida pela família:

    Nesta terça-feira (28) a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Estado da Bahia divulgou nota intitulada “Polícia Civil elucida homicídio de médico no município de Barra” (link).

    A respeito desta nota, que já está repercutindo em veículos de imprensa de todo o país, a família do médico Júlio César de Queiroz Teixeira vem a público manifestar algumas considerações:

    1) Em primeiro lugar, é importante reconhecer a dedicação incansável e a competência técnica do trabalho realizado em conjunto por policiais da Delegacia Territorial (DT) do município de Barra e da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (14ª Coorpin/Irecê), com o apoio da Coordenação de Apoio Técnico à Investigação, do Departamento de Polícia do Interior (Cati/Depin), ao longo dos últimos quatro dias, desde que Júlio César foi brutalmente assassinado, na manhã do dia 23/09, enquanto atendia uma criança, em um consultório no município de Barra/BA.

    2) Reconhecemos e agradecemos às equipes envolvidas pela agilidade deste trabalho investigativo que, em poucos dias, conseguiu descobrir os envolvidos e capturar dois suspeitos deste crime bárbaro.

    3) No entanto, nos surpreende e preocupa o fato de a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil, de forma precipitada e temerária, divulgar uma nota pública oficial afirmando categoricamente em seu título que o caso foi elucidado. Elucidar significa esclarecer, decifrar, explicar de forma a não restar mais dúvidas a respeito do ocorrido. E sabemos que este caso ainda não foi elucidado inclusive pelo fato de que, na mesma nota, a Ascom da Polícia Civil reitera textualmente que “as equipes continuam realizando diligências para localizar e prender o mandante do crime”.

    4) Outro ponto que nos causa estranheza e apreensão enquanto familiares do médico Júlio César é a nota trazer uma declaração do delegado Ernandes Reis Santos Júnior, coordenador da 14ª Coorpin/Irecê, afirmando que “o mandante do homicídio alegou que a vítima teria cometido um suposto assédio a sua esposa e por esse motivo determinou a morte do médico”. Ora, se a Polícia Civil ainda está em busca do mandante, como ele poderia ter alegado esta motivação?

    5) Também nos assusta o fato de ver uma acusação extremamente grave e difamatória obtida a partir da fala de um criminoso – executor dos disparos que covardemente ceifaram a vida de Júlio César sem qualquer chance de defesa – divulgada em uma nota oficial da Polícia Civil e disseminada por veículos de comunicação de todo o país como verdade irrefutável.

    6) Neste sentido, a família do médico Júlio César de Queiroz Teixeira vem a público reiterar a confiança no trabalho da Polícia Civil e, ao mesmo tempo, solicitar a retificação da nota de forma que ela expresse a veracidade do atual momento das investigações.

    7) Nos últimos 20 anos, Júlio César de Queiroz Teixeira exerceu a medicina com extrema dedicação, honestidade e ética. Não podemos permitir que, após a sua morte, a fala de um criminoso seja suficiente para manchar toda uma trajetória de serviços prestados à saúde da população brasileira.

    O bahia.ba buscou uma resposta da polícia. Mas, até o momento, não houve retorno.