Vendas do varejo voltam a ficar abaixo do nível pré-pandemia

    Para a CNC, a retomada das atividades antes restritas pela pandemia tende agora a contribuir cada vez menos para o resultado do setor

    Foto: Marcos Santos/USP Imagem/Fotos Públicas

    A queda no volume de vendas de setembro, divulgada na quinta-feira (11) pelo IBGE, levou ao setor a um resultado abaixo do movimento registrato até fevereiro de 2020, antes da pandemia. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o setor até esperava uma queda em setembro, mas em torno de 0,8% frente ao mês anterior. A retração atingiu 1,3%, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC)/IBGE.

    A CNC avalia que o comportamento de setembro revela que a proximidade da normalização do fluxo de consumidores tende a contribuir cada vez menos para a sustentabilidade das vendas. O estudo aponta que, no fim daquele mês, a média diária de consumidores frequentando lojas se situava 8,1% abaixo do nível observado às vésperas do início da adoção de medidas restritivas ocasionada pela pandemia de covid-19.

    Para o presidente da entidade, José Roberto Tadros, a inflação elevada e persistente representa o principal obstáculo à sustentabilidade da recuperação do comércio. “As fontes de pressão sobre o nível geral de preços são diversificadas e contaminam uma quantidade cada vez maior de segmentos”, avalia. A entidade reduziu a previsão para este ano para o avanço das vendas, que passou de 4,6% para 3,6%.

    O economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, opina que, diante do surto inflacionário global e da demanda por energia, a tendência é que o quadro econômico atual não se reverta em curto prazo e o consumo seguirá em desaceleração nos próximos meses. “As restrições orçamentárias da população, associadas ao quase esgotamento da capacidade de endividamento das pessoas físicas, deverão fazer com que o fluxo de consumidores no varejo contribua marginalmente, cada vez menos, para o avanço das vendas nos próximos meses”, observa.