‘Retrato sintomático de como a cultura é vista’, diz Thiago Almasy sobre fim de Companhia 

    Em entrevista ao bahia.ba, o ator comentou sobre o sentimento de perda e a falta de apoio à cultura na cidade

    Foto: Reprodução/Instagram

    O mês de dezembro começou com a triste notícia do fim das atividades da Companhia Baiana de Patifaria, um dos grupos de teatro mais tradicionais da Bahia e com quase 35 anos de história. 

    A CIA Baiana foi responsável por levar ao público espetáculos como “Noviças Rebeldes”, “Abafabanca”, “3 em 1”,  “A Vaca Lelé” e “A Bofetada”, um dos mais famosos que está nos palcos há mais de 29 anos.

    Dentre as perdas culturais no estado, em agosto do ano passado, o Teatro Popular de Ilhéus, cidade no sul da Bahia, anunciou o fechamento quando completou 25 anos de existência, por falta de dinheiro para pagar dívidas. 

    Em entrevista ao bahia.ba, o ator Thiago Almasy comentou sobre o sentimento de perda e a falta de apoio à cultura na cidade. 

    “Quando uma companhia igual a Baiana de Patifaria deixa de existir, quando ela fecha suas portas vai também um pedaço da história da coletividade, da comédia, do teatro, dos artistas que já passaram por esse grupo. Não deixa de ser um retrato sintomático de como a cultura é vista pelo Brasil”, diz o ator.

    Thiago ainda falou sobre as dificuldades que a área cultural enfrenta em Salvador. 

    “Um grupo de 35 anos sem nenhum tipo de apoio ou incentivo público como tantos outros grupos daqui de Salvador tais como o Bando de Teatro Olodum que também está com seus 30 anos, dentre outros que persistem somente da capacidade de conseguir conquistar público.”

    Em julho deste ano, a prefeitura de Salvador anunciou a retomada de teatros, museus, centros culturais e galerias de arte. Para Thiago, o período de retomada ainda é muito complexo.  

    “Torço para que nesse período de retomada a gente consiga construir maneiras de existirmos, prosperarmos e de nos dignificar perante a arte que fazemos e torço para que o poder público, para que a cultura de Salvador, da Bahia, do Brasil tenha mais cuidado, mais carinho pelos seus artistas, porque a gente vem realmente construindo cultura muitas vezes sozinhos.”

    Por fim, Thiago afirma que ainda tem esperanças de que a Companhia Baiana retorne às atividades. 

    “Torço para que de alguma forma a companhia baiana consiga reverter consiga superar que uma luz se anuncie para poder determinar novos rumos para Lelo ( ator, produtor, diretor e dramaturgo) e para todos os outros que ficam também órfãos com essa medida. Tenho fé de que isso há de acontecer porque  se não acontecer vai um pedacinho da gente, longa vida a companhia baiana!”, conclui Thiago.