Anvisa rebate Bolsonaro e diz que é órgão de Estado e ‘avesso a pressões externas’

    Em nota, a agência repudiou e repeliu "qualquer ameaça, explícita ou velada, que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias"

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Após a fala do presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira (16), de que iria pedir os nomes das pessoas que aprovaram a vacinação de crianças contra a Covid-19 com a vacina da Pfizer, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reagiu à declaração em nota divulgada em seu site nesta sexta-feira (17), onde reafirma que é um órgão do Estado brasileiro e que seu ambiente de trabalho é isento de pressões internas e avesso a pressões externas.

    Na nota assinada pelo corpo diretor do órgão, a agência diz que o serviço público realizado por ela, no que se refere à análise vacinal, é pautado na ciência e oferece ao Ministério da Saúde, o gestor do Plano Nacional de Imunizações (PNI), opções seguras, eficazes e de qualidade.

    “Em outubro do corrente ano, após seus dirigentes e seu corpo funcional sofrerem ameaças de morte e de toda a sorte de atos criminosos por parte de agentes antivacina, no escopo da vacinação para crianças, esta Agência Nacional se encontra no foco e no alvo do ativismo político violento. A Anvisa é líder de transparência em atos administrativos e todas as suas resoluções estão direta ou indiretamente atreladas ao nome de todos os nossos servidores, de um modo ou de outro”, diz um trecho da nota.

    A Anvisa completa ainda afirmando que está “sempre pronta a atender demandas por informações”, mas repudia e repele com veemência “qualquer ameaça, explícita ou velada, que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão”.

    Na quinta, Bolsonaro disse numa live que não interfere na agência. No enanto, declarou que pediu os nomes dos responsáveis por aprovar aprovou a aplicação da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

    “A Anvisa não está subordinada a mim, deixar bem claro isso. Não interfiro lá. Eu pedi o nome das pessoas que aprovaram a vacinação de crianças de 5 a 11 anos, para que todo mundo tome conhecimento de quem são essas pessoas e formem o seu juízo. Você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram a vacinação a partir de 5 anos”, disse o presidente.