Mulheres jornalistas sofreram 6 ataques por mês em 2021

    Um dos casos foi registrado na Bahia, com a jornalista Alana Rocha, de Riachão do Jacuípe

    Repórter baiana, Alana Rocha sofre atraques transfóbicos | Foto: Reprodução / Instagram

    De acordo com um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), as mulheres jornalistas sofreram seis ataques por mês ao longo de 2021.

    De acordo com a entidade, o monitoramento apontou 75 episódios diferentes onde as mulheres foram agredidas, ofendidas, intimidadas e ameaçadas no exercício da profissão este ano.

    Ao todo foram registradas 59 vítimas, sendo que 34,6% dos ataques usaram o gênero, a sexualidade ou a orientação sexual como ferramenta.

    Em 60% dos casos identificados pela Abraji, mulheres jornalistas foram alvos dos chamados discursos estigmatizantes, agressões verbais com objetivo de descredibilizar as vítimas. Dentro os termos mais usados para esta finalidade estão “militante”, “jornazista”, “lixo” e “comunista”.

    O levantamento observou também o emprego de expressões misóginas em 29,3% dos discursos voltados para as comunicadoras. Dentre as palavras mais usadas estão “vagabundas”, “putas”, “biscates”, “feias”, “velhas”, “burras” e “loucas”.

    Segundo a Abraji, do total de agressões sofridas pelas jornalistas em 2021, 61,3% ocorreram enquanto as profissionais cobriam pautas políticas.

    Daniela Lima e Carla Vilhena, ambas apresentadoras na CNN Brasil, foram alvos de ataques este ano. Na Bahia, a Abraji registrou também o caso da jornalista Alana Rocha, que atua em Riachão do Jacuípe, e tem sofrido perseguições e ataques transfóbicos de funcionários da prefeitura.

    As agressões foram registradas dentro do projeto “Violência de gênero contra jornalistas”, iniciativa da Abraji realizada com financiamento da UNESCO e parceria de Mulheres Jornalistas, Instituto Patrícia Galvão, Fenaj, Gênero e Número, CPJ e Repórteres sem Fronteiras.