Escritório de advocacia deve informar quanto Moro ganhou, determina TCU

    Ex-juiz Sérgio Moro trabalhou na consultoria americana Alvarez e Marsal após deixar o cargo de ministro da Justiça

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A consultoria americana Alvarez e Marsal deve divulgar quanto o ex-juiz Sérgio Moro recebeu ao deixar o escritório de advocacia. A determinação é do Tribunal de Contas da União (TCU). Pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, ele se desvinculou da companhia em 31 de outubro deste ano.

    Na decisão, o ministro Bruno Dantas decidiu que a firma tem de enviar “toda documentação relativa ao rompimento do vínculo de prestação de serviços com o ex-juiz Sérgio Moro, incluindo datas das transações e valores envolvidos”.

    Dantas acatou pedido feito pelo Ministério Público junto ao TCU. O procurador Lucas Rocha Furtado argumentou que a corte deve obter as informações para avaliar se houve suposto conflito de interesses ou ainda “favorecimentos, manipulação e troca de favores entre agentes públicos e organizações privadas”.

    A Alvarez & Marsal, empresa para a qual Moro passou a trabalhar após deixar o cargo de ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, trabalhou para a recuperação judicial da Odebrecht, entre outras companhias afetadas pela Operação Lava Jato.

    Dantas também determinou que o Conselho Nacional de Justiça, as corregedorias dos Tribunais de Justiça, “a título de cooperação” enviem informações sobre todos os processos de recuperação judicial que a companhia americana atuou de 2013 para cá, discriminando a remuneração para a companhia pelos serviços.

    Pedido semelhante foi feito à própria Alvarez e Marsal. O ministro pede que “a título colaborativo” informe ao TCU os processos de recuperação para os quais trabalhou, bem como os valores recebidos.