O que era para ser um aniversário feliz se tornou momentos de angústia para o vice-presidente da Associação Amigos dos Autistas (AMA) da Bahia, Leonardo Martinez e seu Filho Vinicius. O pai do adolescente, que tem 17 anos e possui autismo severo, usou a redes sociais para relatar que um médico do Hospital Aliança não realizou o atendimento necessário em seu filho, que deu entrada no hospital após sofrer um acidente no dia do aniversário.
Leonardo contou que na noite de domingo (16), o filho se desequilibrou ao se apoiar em um quadro de avisos do prédio onde mora, quebrou o vidro e cortou a mão. Foram vários ferimentos superficiais na parte externa da mão e um corte bem profundo na região do pulso. No entanto, ao chegar no hospital, a situação foi trada com descaso.
“Me dirigi até o Hospital Aliança, porém meu filho tem pânico de hospital e por isso não quis entrar na área de emergência. Por isso, ele precisaria ser atendido do lado de fora, como está na lei, mas o médico se recusou”, relata. Segundo Leonardo, que é ativista dos direitos dos autistas, foi necessário te que destacar a lei e consequências legais que o médico teria caso se recusasse a atender.
“Só assim que eu consegui convencê-los de que os protocolos deveriam ser mitigados e que meu filho precisava ser avaliado, mesmo na parte fora do habitual do hospital, pois ele estava sangrando e sofrendo diversos riscos”.
Após o caso, o cirurgião resolveu atender o adolescente fora do local estabelecido, porém, de acordo com os relatos do vice-presidente da AMA, o cirurgião teria avaliado o filho de Leonardo, mas optou por orientar o pai sobre como fazer o curativo e outros procedimentos em casa. Além de não receitar medicamentos necessários para o tratamento da jovem.
“O cirurgião aceitou ir na área da entrada da emergência e ‘avaliou’ meu filho. Eu não sabia quem estava com mais medo de quem, se Vinícius do médico ou o médico de Vinícius. Recebi as orientações, fui pra casa, e assumindo o papel inadequado e por força da incapacidade dos hospitais, me tornei enfermeiro, cirurgião e da melhor forma possível fiz a limpeza da área, fiz curativo e uma espécie de ponto falso’’, relatou.
No Instagram, Leonardo não escondeu a insatisfação com o ocorrido e desabafou: “Isso é o que nós pais temos que nos submeter. O médico estava tão apavorado e querendo se livrar da situação que não deu orientação sobre necessidade de medicamentos e não fez uma mísera receita para meu filho’’, disse.
O bahia.ba entrou em contato com o Hospital Aliança, que disse estar investigando a situação. “O Hospital Aliança informa que está apurando internamente o que ocorreu no caso citado do adolescente com autismo. Por princípio, a instituição acolhe em atendimento todos os pacientes, sem distinção, procurando se adequar da melhor forma nos casos de pessoa com deficiência e/ou pessoa com necessidades especiais”, disse.

