Celso Amorim avalia que entrada na OCDE não trará grandes benefícios ao Brasil

    Ex-chanceler pregou cautela e lembrou de desempenho de países latinoamericanos como México e Chile no bloco

    Foto: Reprodução/ EBC

    Anunciada nesta quarta-feira (26), a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é vista com cautela pelo ex-chanceler Celso Amorim, segundo o qual, a posição não deve trazer muitos ganhos ao país.

    “Não há grandes benefícios em entrar na OCDE. A OCDE é, digamos, um templo do neoliberalismo, que impõe abertura comercial, liberdade de movimentação de capitais, restrições a propriedade intelectual, genéricos, licença compulsória de medicamentos. Eu acho que a gente tem que ver isso com cuidado. Não vou demonizar a OCDE, mas também não vou endeusar. Esse ‘pseudosselo’ de qualidade já era, depois do que aconteceu no Chile e no México. Talvez possamos fazer uma negociação conjunta com a Argentina, que também foi convidada. Tem que ser com calma”, analisou o diplomata, em entrevista a Patrícia Campos Mello, na Folha de S. Paulo.

    “Acho que a gente tem que ver isso com muito, muito cuidado —e é uma longuíssima negociação”, disse Amorim, principal conselheiro do ex-presidente Lula (PT) para assuntos internacionais. “O que ganharam os países que entraram? O Chile teve uma crise do neoliberalismo brutal nas ruas. O México, país que mais se abriu, foi um dos que mais sofreram com a crise do [banco] Lehman Brothers [2008]”, questionou, lembrando ainda que estar na OCDE “não fez com que o México recebesse mais investimentos que o Brasil”.