Em artigo, Barroso diz que ‘motivo real’ da queda de Dilma foi político, em vez de pedaladas

    Ministro do STF também comparou ambiente político do governo da petista e o de Michel Temer

    Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

    Em um artigo para a revista Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ocorreu por questões políticas e não pelas “pedaladas fiscais”.

    “A justificativa formal foram as denominadas ‘pedaladas fiscais’ —violação de normas orçamentárias—, embora o motivo real tenha sido a perda de sustentação política”, afirmou o ministro, no texto ainda inédito, obtido pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, o material será lançado no dia 10 de fevereiro e conta com Hussein Kalout, ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, como um dos editores.

    No mesmo artigo, Barroso compara o impedimento de Dilma com o contexto vivido pelo vice, Michel Temer (MDB), que tomou posse após a queda da petista. “O vice-presidente Michel Temer assumiu o cargo até a conclusão do mandato, tendo procurado implementar uma agenda liberal, cujo êxito foi abalado por sucessivas acusações de corrupção. Em duas oportunidades, a Câmara dos Deputados impediu a instauração de ações penais contra o presidente”, escreveu.

    Esta não é a primeira vez que o magistrado torna pública sua visão a respeito do impeachment. “Creio que não deve haver dúvida razoável de que ela [Dilma] não foi afastada por crimes de responsabilidade ou corrupção, mas, sim, foi afastada por perda de sustentação política. Até porque afastá-la por corrupção depois do que se seguiu seria uma ironia da história”, disse ele em julho de 2021, em um simpósio.