Em relatório entregue ao Supremo, PF aponta a existência de ‘gabinete do ódio’

    No documento, é detalhada a forma de atuação do grupo em quatro fases

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    A Polícia Federal (PF) identificou a existência de uma milícia digital que age contra as instituições e a democracia e teria usado a estrutura de um “gabinete do ódio”. A informação consta no relatório enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    A suspeita é que esse grupo atue dentro do Palácio do Planalto, por meio de funcionários comissionados do governo Jair Bolsonaro (PL).

    “Identifica-se a atuação de uma estrutura que opera especialmente por meio de um autodenominado ‘gabinete do ódio’: um grupo que produz conteúdos e/ou promove postagens em redes sociais atacando pessoas (alvos) – os ‘espantalhos’ escolhidos – previamente eleitas pelos integrantes da organização, difundindo-as por múltiplos canais de comunicação”, alegou a delegada Denisse Ribeiro, que assina o documento.

    No relatório, a delegada resumiu a maneira de atuação do grupo em quatro fases. Na primeira, denominada de eleição, são escolhidos os alvos. Na segunda, são definidas as tarefas dos membros dos grupos e definidos os canais em que as mensagens serão difundidas. A terceira, o ataque, e, por fim, a “multiplicação cruzada das postagens por novas retransmissões, complementadas ou não com novos elementos agregados, inclusive realizada por autoridades públicas e/ou pelos meios de comunicação tradicionais”.

    Denisse Ribeiro também é a responsável por conduzir o inquérito das “fake news” sobre as urnas eletrônicas, que tem como alvo o presidente Bolsonaro e aliados dele.