Nestor Duarte diz que o sistema prisional é complexo, mas avançou

    "A verdade é que o crime organizado é muito mais organizado do que se pensa"

    Foto: Carol Garcia/GOVBA
    Foto: Carol Garcia/GOVBA

     

    Já dizia Octávio Mangabeira que cemitério e cadeia não se inaugura, se faz e se deixa lá. Nestor Duarte, que ontem se despediu após passar os últimos 11 anos (desde o governo de Jaques Wagner) à frente da Secretaria de Administração Penintenciária e Ressocialização (Seap), até tem o que dizer, mas deu azar.

    Ele sai justamente no momento em que a Penintenciária Lemos Brito tem uma rebelião com cinco mortos e mais de 30 feridos, a segunda do tempo em que ficou lá (a outra foi em Feira de Santana, em 2015, com cinco mortos).

    Mas a saída dele nada tem a ver com isso. Apenas uma má coincidência. Ele deixa o posto porque foi indicado de Marcelo Nilo, agora opositor do governo. Mas Nestor aponta que nesse tempo houve avanços significativos.

    Presos

    Diz Nestor que um dos grandes problemas do sistema penintenciário no Brasil é o número de vagas. O país tem 800 mil presos para 250 mil vagas. Na Bahia hoje, há 15 mil presos em 13 mil vagas, déficit que ele espera zerar com as unidades de Irecê e Brumado, já em construção. Apesar dos avanços, por que as revoltas?

    — É lógico que presídios não são conventos de padres ou freiras. A verdade é que o crime organizado é muito mais organizado do que se pensa.

    Ele conta que em Itabuna decidiu separar em duas alas as facções Raio A e Raio B, mas a Justiça não aceitou, quer todos no mesmo lugar.

    Em suma, por mais que tenha melhorado, ainda há muito o que melhorar.