Secretária diz que redução de recursos federais em políticas para mulher ‘preocupa’

    Fernanda Lordelo cita preocupação, mas reforça investimento municipal

    Foto: Mattheus Miranda / Bahia.Ba

    Titular da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), Fernanda Lordelo classificou como “preocupante” o impacto da redução do orçamento federal em ações voltadas para as mulheres, mas minimizou a gravidade do cenário por conta dos investimentos municipais.

    “Reduzir o recurso realmente nos preocupa de um modo geral, mas vamos continuar, como o prefeito Bruno Reis vem sinalizando, com os projetos que nós já temos de empregabilidade, empreendedorismo, sendo custeados pela prefeitura de Salvador. [Vamos] tocar outros projetos importantes e esperar que melhore essa condição em todo país”, declarou a secretária ao Bahia.Ba nesta terça-feira (8), Dia Internacional da Mulher.

    “Neste momento ainda, a maioria dos investimentos públicos voltados pra mulher ela vem sem a necessidade direta dos recursos federais, com exceção da Casa da Mulher Brasileira e, claro, a gente conta com o apoio do governo federal sempre”, pontuou Lordelo, que evitou tecer críticas ao governo federal e atribuiu a queda nos investimentos do ministério de Damares à emergência sanitária provocada pela Covid-19.

    “Acreditamos que, por conta da pandemia, muitos sacrifícios foram necessários, mas realmente a pauta da mulher é uma pauta sensível e a gente tem que ter cuidado e um olhar muito criterioso, especialmente pensando agora no Mês da Mulher, que eu costumo dizer que é um mês de reflexão. Reflexão de políticas, já que a gente sabe que no nosso país as mulheres, em sua maioria, são chefes de família, precisam do emprego, precisam da renda e de políticas que as beneficiem”, disse a titular da SPMJ.

     

    NÚMEROS

    Em contraste ao número de 1.350 casos de feminicídios ocorridos no Brasil em 2020, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves, gastou apenas R$ 1 milhões dos R$ 28,8 milhões autorizados para execução no ano passado. Segundo dados de um estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) divulgado pelo Estadão, em 2019, nada foi executado e, em 2020, apenas R$ 308 mil dos R$ 71,7 milhões disponíveis foram utilizados.