Setores afetados pela guerra respondem por 48,5% do varejo brasileiro

    Pressão sobre os preços em supermercados e combustíveis fez a Confederação Nacional do Comércio reduzir a previsão para o crescimento este ano

    Foto: Reprodução/Agência Brasil

    O conflito na Ucrânia deve aumentar a pressão sobre os preços no varejo, afetando principalmente combustíveis e supermercados. Os dois ramos respondem por 48,5% das vendas do setor, de acordo com informações da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O impacto da guerra fez a entidade reduzir a previsão de crescimento este ano de 0,9% para 0,5%.

    Em nota, a entidade explicou que as preocupações iniciais do varejo recaem sobre o aumento dos preços dos combustíveis, puxado pela escalada do preço do petróleo. Após o início do conflito, em 24 de fevereiro, o barril chegou a ser cotado a US$ 140, maior valor em 14 anos.

    A previsão é que o setor supermercadista, o maior do varejo, seja fortemente impactado por pressões de médio prazo, decorrentes dos reajustes em commodities agrícolas e da possível escassez de fertilizantes. O produto tem a Rússia como um dos principais fornecedores.

    Diante do cenário, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, antevê também ajustes na trajetória dos juros básicos da economia. “Há grandes chances de aumento dessas taxas, impactando atividades mais dependentes das condições de crédito”, avalia. Atualmente, a Selic está fixada em 10,75% ao ano. Uma nova reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) está marcada para a próxima semana.