Da Alemanha, Moro critica condenação de Dallagnol em caso do PowerPoint contra Lula

    ‘Isso é querer transformar o certo em errado e o errado em certo’, defendeu o ex-ministro

    Foto: Reprodução / Twitter

    Em viagem pela Alemanha para encontrar com políticos e empresários, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) manifestou indignação após Deltan Dallagnol (Podemos) ser condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a indenizar o ex-presidente Lula (PT) em R$ 75 mil por danos morais, relativos ao PowerPoint apresentado pelo procurador da Lava Jato em denúncia do caso triplex do Guarujá.

    “Estou acompanhando a situação no Brasil. A gente tem visto fatos assustadores. O país tá doente, gente. Ontem o STJ, tribunal em Brasília, condenou Deltan Dallagnol. Sim, o procurador da Lava Jato, a pagar danos morais para o Lula”, declarou o pré-candidato à Presidência, em vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta quarta-feira (23).

    “No governo do Lula nós tivemos aqueles escândalos de corrupção na Petrobras, mais de R$ 6 bilhões roubados, e agora o procurador que se sacrificou, que se dedicou pra combater aquela roubalheira e colocar os criminosos na cadeia sendo condenado a pagar danos morais. Isso é um absurdo, isso é um país virado do avesso, isso é querer transformar o certo em errado e o errado em certo. Nós não vamos deixar o Brasil virar uma terra sem lei e um país de bandido”, acrescentou Sergio Moro, em tom de campanha contra o petista, que lidera as pesquisas eleitorais.

    No vídeo, Moro dispara também contra o governo Bolsonaro, no qual foi titular do Ministério da Justiça, deixando a pasta após acusar o presidente de interferência na Polícia Federal. “Essa história do Ministério da Educação. Verba do ministério sendo liberada pra uma pessoa indicada pelo Bolsonaro e agora vem essa história de que essa pessoa teria pedido propina, em ouro até, pra uma prefeitura”, disse Moro, citando o áudio no qual o ministro Milton Ribeiro admite favorecer líderes religiosos com recursos do MEC e a denúncia do prefeito da cidade de Luis Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), de que o pastor Arilton Moura pediu 1 kg de ouro para destravar verbas da pasta.

    “Isso tem que ser investigado pela Polícia Federal e pela PGR, com rigor. Não vamos deixar isso ser varrido de novo pra debaixo do tapete”, defendeu o ex-juiz, que cobrou do ministério ainda um plano de recuperação das aulas perdidas durante a pandemia da Covid-19.