Senador pede CPI para investigar suposto esquema de propina no MEC

    No pedido, Randolfe indica cinco possíveis crimes cometidos por Milton Ribeiro e pelo presidente Jair Bolsonaro

    Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado

    O suposto esquema de propina e tráfico de influência no Ministério da Educação (MEC), com a liberação de verbas para cidades indicadas por dois pastores, que não tinham cargos no MEC, pode ser motivo de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O pedido foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do bloco de oposição.
    No requerimento, Randolfe indica e pede a investigação de possíveis crimes cometidos pelo agora ex-ministro Milton Ribeiro e pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). O religioso deixou o MEC na última segunda-feira (28), diante da repercussão negativa de um áudio, divulgado pela Folha de S. Paulo, em que ele afirma liberar valores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para prefeituras indicadas por pastores.
    O senador apontou cinco suspeitas de crime envolvendo Milton Ribeiro e o presidente Jair Bolsonaro, a quem ele indicou como  “no mínimo, autor intelectual ou mandante dos atos criminosos” do ex-ministro. Os pastores envolvidos no caso também são acusados por Randolfe.
    “A distribuição de recursos públicos afetos à referida pasta ministerial não pode ser feita às escuras, sem a observância dos princípios constitucionais da impessoalidade e da eficiência, buscando beneficiar os amigos do rei. As verbas destinadas à educação não podem ficar na mão de agentes estranhos ao Estado, servindo de moeda de troca para angariar apoio político e ganhos indevidos”, diz o pedido.
    Os crimes apontados por Randolfe Rodrigues foram peculato, emprego irregular de verbas  públicas, corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa.
    Para abrir uma CPI, o requerimento precisa contar com a assinatura de 27 senadores e de decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
    Milton Ribeiro já foi convocado a se explicar em uma audiência na Comissão de Educação do Senado na próxima quinta-feira (31).