Fenaj defende cassação de Eduardo Bolsonaro após deputado ironizar tortura

    Entidade defendeu que ‘passou da hora’ de punir ‘autoridades que insistem em agir fora dos preceitos legais e democráticos’ e classificou fala do deputado como desumana

    Foto: Câmara dos Deputados

    Por meio de nota oficial, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defendeu a cassação de Eduardo Bolsonaro (PL), após o parlamentar ironizar episódios de tortura sofridos pela jornalista Míriam Leitão.

    “Para que não haja relativização em favor dos criminosos, a Fenaj defende a imediata abertura de processo ético contra o deputado Eduardo Bolsonaro, que neste domingo, 3 de abril, quis debochar da jornalista Míriam Leitão, colunista do jornal O Globo e comentarista da Globo News, citando um episódio de tortura a que ela fora submetida, quando presa durante a ditadura militar”, diz a entidade, que repudiou a apologia à tortura e afirmou que, além de crime, o ato é “uma manifestação inequívoca de desumanidade”.

    Segundo a Fenaj, não foi a primeira vez que o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) “tratou a tortura como uma prática banal e defensável”, assim como não foi a primeira vez que a jornalista “foi desrespeitada pela família Bolsonaro, em sua história de militante e presa política”.

    Para a entidade, “passa da hora de os demais poderes constituídos da República brasileira agirem para garantir o Estado de Direito, com a punição cabível para autoridades que insistem em agir fora dos preceitos legais e democráticos”. A Fenaj disse ainda que algumas autoridades como o presidente e seu filho “demonstram absoluta falta de empatia e compaixão, sentimentos normalmente partilhados entre os seres humanos”.

    Diante do ocorrido, a Federação Nacional dos Jornalistas defendeu a punição para os torturadores militares e civis que cometeram crimes na ditadura militar e que, em sua avaliação, continuam impunes “com base numa interpretação equivocada da Lei da Anistia”.

    “Nossa solidariedade à jornalista Míriam Leitão, às vítimas da ditadura militar e aos familiares das vítimas que não resistiram às torturas e sucumbiram nos porões dos cárceres”, concluiu a Fenaj.